As sondas Voyager, lançadas pela NASA em 1977, permanecem quase cinco décadas depois como os artefatos fabricados pelo ser humano que mais se afastaram da Terra e as únicas espaçonaves em operação no espaço interestelar. Originalmente projetadas para estudar os planetas gigantes, as duas sondas excederam os objetivos iniciais e continuam a enviar dados científicos sobre uma região que nenhuma outra missão alcançou.
Quem, o que e quando
As Voyager 1 e 2 partiram em 1977 com poucos dias de diferença, aproveitando um raro alinhamento dos planetas gigantes que permitiu visitar vários alvos numa mesma missão. A Voyager 1 sobrevoou Júpiter e Saturno; a Voyager 2 passou por Júpiter e Saturno e seguiu até Urano e Netuno. Até hoje, a Voyager 2 é a única espaçonave a ter visitado Urano e Netuno, fornecendo as imagens e medidas mais detalhadas desses dois planetas ice giants.
Resultados e legado
Os sobrevoos das Voyager trouxeram descobertas como vulcanismo ativo em luas de Júpiter e novos detalhes sobre os anéis de Saturno. Segundo a NASA, uma parcela significativa do conhecimento atual sobre esses mundos deriva dos dados coletados durante as passagens das sondas. Para pesquisadores e divulgadores, a missão é um marco histórico da exploração espacial: “Pensar na missão Voyager é automaticamente imaginar o ápice da exploração espacial”, afirmou o divulgador científico Alexsandro Mota durante transmissão do programa Olhar Espacial. O astrônomo e colunista Marcelo Zurita ressaltou a admiração pela durabilidade dos equipamentos concebidos nos anos 1970, que seguem operando e levando a ciência aos limites do Sistema Solar.
Saíram do Sistema Solar?
De acordo com a NASA, ambas cruzaram a heliopausa — a fronteira onde a influência do vento solar diminui e começa o meio interestelar —: a Voyager 1 em 2012 e a Voyager 2 em 2018. Por essa classificação, as sondas já operam no espaço interestelar. No entanto, essa definição é objeto de debate, visto que uma delimitação mais ampla do Sistema Solar inclui a Nuvem de Oort, uma vasta zona de corpos gelados que se estende por quase um ano-luz a partir do Sol. Nesse entendimento, as Voyager ainda estariam dentro do Sistema Solar e levariam cerca de 300 mil anos para alcançar a borda externa da Nuvem de Oort.
O que ainda fazem
Quase 50 anos após o lançamento, as sondas continuam transmitindo medições sobre partículas, campos magnéticos e radiação do espaço interestelar. Alimentadas por geradores termoelétricos de radioisótopos (RTGs) que usam o calor do plutônio-238 para gerar eletricidade, as Voyager mantêm operações em regiões onde a luz solar é insuficiente para painéis solares. Como a energia disponível vem diminuindo, a NASA tem desligado instrumentos menos essenciais, priorizando aqueles ligados a medições científicas e à comunicação com a Terra.
Imagem: Divulgação
Mesmo quando perderem o contato com a Terra, as sondas seguirão viajando pela Via Láctea por milhões de anos, transportando o Golden Record, um disco banhado a ouro com sons, imagens e informações sobre a humanidade, concebido como uma cápsula do tempo.
Com informações de Olhardigital

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6