Transmissão: Record
Foco do investidor muda: fundos de renda fixa lideram captação enquanto ações perdem espaço
Os recursos aplicados pelos investidores brasileiros em 2026 mostram uma divisão clara entre vencedores e perdedores. Nos sete primeiros meses do ano, fundos de renda fixa registraram captação líquida de R$ 148,4 bilhões, posição bem acima das demais classes de ativos. No mesmo período, fundos de ações tiveram saída líquida de R$ 6,3 bilhões, multimercados perderam R$ 11,7 bilhões e fundos de previdência, R$ 8,3 bilhões. Entre as categorias, apenas renda fixa e o grupo “outros” (incluindo FIDCs e produtos estruturados) apresentaram expansão, segundo o relatório Brazil: Follow the Money, do BTG Pactual.
O movimento atual é resultado de uma tendência que se estende por duas décadas. A indústria de fundos de renda fixa avançou de R$ 550 bilhões em 2008 para R$ 4,76 trilhões em julho de 2026. Fundos de previdência cresceram de R$ 111 bilhões para R$ 1,85 trilhão no mesmo intervalo. Fundos de ações também aumentaram em valor absoluto, de R$ 112 bilhões para R$ 677 bilhões, mas com trajetória mais irregular: caíram de R$ 613 bilhões em 2020 para R$ 496 bilhões em 2021, recuaram novamente em 2023 e só ultrapassaram o patamar de 2020 em 2025.
Perda de participação das ações dentro do patrimônio dos fundos
A participação das ações no total dos recursos administrados pela indústria de fundos — a chamada fatia de equity, monitorada pela Anbima — caiu pela metade em 20 anos. Em 2000 era de 11,3%, atingiu o pico histórico de 22,0% em 2007 e, em junho de 2026, estava em 8,4%.
Esse recuo não decorre de queda absoluta do patrimônio em ações: o montante aplicado em ações pela indústria cresceu de R$ 34 bilhões em 2000 para R$ 696 bilhões em junho de 2026. O problema é que o restante da indústria cresceu mais rápido: o total de ativos sob gestão passou de R$ 297 bilhões para R$ 8,3 trilhões no mesmo período.
A série mensal desde dezembro de 2024 mostra um patamar consolidado: a fatia de ações começou em 7,8% (patrimônio em ações de R$ 537 bilhões), subiu gradualmente ao longo de 2025, alcançou 9,0% em fevereiro de 2026 (R$ 729 bilhões, pico recente) e voltou a recuar para 8,8% em março, 8,7% em abril e 8,4% em maio e junho, quando o patrimônio caiu para R$ 696 bilhões. Em 19 meses consecutivos, a fatia ficou entre 7,8% e 9,0%.
Composição dos negociadores na B3 e impacto
A composição dos negociadores na bolsa mudou. O volume diário médio da B3 cresceu para R$ 23,7 bilhões (alta de 16% em um ano), mas a participação da pessoa física no total negociado caiu de 21,35% em 2020 para 10,90% em 2026, o menor nível desde 2018. Investidores institucionais também perderam espaço, de 31,47% em 2019 para 24,40% em 2026. Em contrapartida, estrangeiros ampliaram sua fatia de 45,01% em 2019 para 61,10% em 2026, tornando-se a maior parcela no volume negociado.
Resultados das aberturas de capital desde 2021
Imagem: Divulgação
Das 37 empresas que abriram capital na B3 desde 2021, apenas duas superaram o desempenho do mercado pelo critério de retorno comparado ao Ibovespa: Orizon, com alta de 232% ante 45% do Ibovespa, e Caixa Seguridade, com 130% ante 43% do índice. Outros quatro papéis registraram valorização positiva, mas inferior ao desempenho do índice — 3tentos (+25% versus 38%), Bemobi (+6% versus 45%), GPS (+1% versus 44%) e Oceanpact (0% versus 45%). As demais 31 companhias estão no vermelho; entre os recuos mais expressivos estão Raízen (-96%), Oncoclínicas, Dotz, Viveo e Westwing (cada uma -97%) e Grupo Toky (-98%), o pior desempenho.
No conjunto, em 35 das 37 operações o investidor teria obtido retorno superior ao simplesmente comprar o índice, enquanto apenas duas estreias individuais superaram o Ibovespa.
Fluxos estrangeiros e alocação em fundos internacionais
Os fluxos de capital estrangeiro para ações brasileiras somaram R$ 38,6 bilhões em 2026, recuperação frente aos R$ 32,1 bilhões retirados em 2024, mas ainda distantes dos R$ 100,8 bilhões que entraram em 2022. O padrão mensal mostra volatilidade: entrada de R$ 26,3 bilhões em janeiro, saques de R$ 14,9 bilhões em maio e R$ 7,8 bilhões em junho, e nova entrada de R$ 4,7 bilhões em julho.
Entre fundos internacionais, os GEM (Global Emerging Markets) reduziram a participação destinada ao Brasil de 7,59% em março para 5,76% em maio. Fundos especializados na América Latina mantêm o Brasil como maior destino — 57,79% em maio —, mas essa fatia tem caído (59,94% em março; 59,86% em abril), enquanto o México subiu de 23,21% para 25,09% no mesmo período.
O conjunto desses números aponta para um deslocamento do poupador médio brasileiro rumo à renda fixa, para uma B3 com maior presença estrangeira e para um desempenho, em muitos casos, decepcionante das ofertas públicas recentes.
Com informações de Forbes

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6