A instalação de novos data centers no município de Caucaia, na Região Metropolitana de Fortaleza, projeta um consumo de energia elétrica tão elevado que tem provocado debate público e político. Segundo reportagem do UOL, a demanda estimada para manter os complexos e os sistemas de refrigeração ativos continuamente equivale ao abastecimento médio de cerca de 4,5 milhões de residências, volume que ultrapassa o consumo residencial total do estado do Ceará.

A concentração dessas infraestruturas na zona localizada próxima à capital cearense e na Zona de Processamento de Exportação (ZPE) cria pressão imediata sobre o sistema elétrico e sobre os recursos hídricos locais. Além do grande uso de eletricidade, os projetos preveem consumo em larga escala de água para resfriamento dos servidores, o que levanta alertas sobre a sustentabilidade do abastecimento na região e sobre potenciais mudanças no cotidiano das comunidades vizinhas.

Impactos sociais, territoriais e ambientais

Povos indígenas da área, como o povo Anacé, manifestaram preocupação com a expansão das obras sobre seus territórios e com a intensificação do uso de água. A região já registra episódios de falta de energia e de abastecimento hídrico, o que intensifica a apreensão das comunidades.

“Todo dia, quase, a energia cai aqui. Não recebemos água ligada à rede. Temos água de cacimba artesanal, de buraco cavado. Acreditamos que isso vai piorar”, afirmou Roberto Anacé, cacique do povo indígena Anacé de Caucaia.

Os empreendimentos contemplam ainda a instalação de parques eólicos e solares no semiárido cearense. Apesar de se tratarem de fontes renováveis, há preocupação com a chamada “síndrome da turbina eólica”, efeito do ruído das torres sobre moradores próximos, e com a ausência de regulamentação que limite a proximidade dessas estruturas às residências.

Posicionamento institucional e empresarial

O Ministério Público e juristas especializados em direito ambiental exigem maior transparência nos processos de licenciamento, incluindo estudos de impacto ambiental que avaliem efeitos cumulativos dos grandes projetos no estado, em vez de análises isoladas para cada empreendimento.

Novos data centers em Caucaia podem demandar mais energia do que todo o Ceará

Imagem: Meta/Reprodução

A Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace) informou que as propostas estão em análise e que poderá requerer estudos mais aprofundados caso identifique impactos ambientais relevantes. As empresas envolvidas disseram que os projetos ainda estão em fase inicial e, por isso, não divulgaram detalhes adicionais.





Especialistas do setor lembram que a movimentação por data centers em grande escala no Brasil tende a crescer: há projeção de implantação de 500 novas estruturas no país na próxima década.

Com informações de Canaltech