Pesquisadores da Universidade de Toronto identificaram inúmeras fraturas geológicas no centro da Placa Oceânica do Pacífico, uma área até então considerada estruturalmente estável. A descoberta, realizada em modelagens computacionais aliadas a dados históricos de sismologia e vulcanismo, pode contribuir para a previsão de grandes tsunamis no Pacífico.

Quem e o que foi descoberto

O estudo foi conduzido por geocientistas da Universidade de Toronto, no Canadá. Eles encontraram rachaduras com extensão de centenas de quilômetros de comprimento e profundidade de milhares de metros no interior da placa, longe das tradicionais zonas de subducção, onde as placas tectônicas convergem.

Onde e como as falhas foram localizadas

As regiões analisadas abrangem o trecho marítimo que vai do Japão ao Havaí e se estende da Nova Zelândia até a costa da Austrália. Para mapear as falhas, os cientistas utilizaram modelos numéricos avançados combinados com registros sísmicos e dados de atividade vulcânica coletados em expedições anteriores.

Por que as fraturas surgem longe das bordas

Segundo os autores do estudo, os estresses gerados pelo mergulho da placa em direção ao manto terrestre provocam alongamentos semelhantes aos de uma toalha esticada sobre uma mesa. Nessas condições, regiões mais frágeis tendem a se romper, dando origem às falhas internas.

Impactos para a população

Em entrevista ao Jornal da USP, o professor Felipe Toledo, do Instituto de Oceanografia da Universidade de São Paulo, ressaltou que essas mudanças ocorrem em ritmo geológico. “Em termos humanos, não veremos remodelações continentais, mas podemos sentir tremores de terra ou atividade vulcânica”, afirmou.

Imagem: Divulgação

Já o professor Luigi Jovane, também do Instituto de Oceanografia da USP, alertou para o potencial gerador de tsunamis dessas rupturas. “Mesmo ocorrendo em áreas sem ocupação, essas falhas podem originar tsunamis que se propagam por todo o Pacífico, produzindo ondas de grande magnitude”, disse o especialista.

O artigo completo com os resultados da pesquisa está disponível na revista Geophysical Research Letters.

Com informações de Olhardigital