Observações recentes com o telescópio espacial Hubble revelaram que a estrela V445 Puppis, na Via Láctea, expulsou aglomerados de gás a cerca de 32,2 milhões de km/h após uma explosão rara detectada no início dos anos 2000. A descoberta foi possível graças ao cruzamento de dados do Hubble com medições do satélite TESS, do Very Large Telescope (VLT) e de outros instrumentos.
Pesquisadores apresentaram os resultados durante a Reunião Nacional de Astronomia da Royal Astronomical Society, em Birmingham, no Reino Unido. O estudo traz detalhes inéditos sobre a classificação do evento como uma nova de hélio, um tipo atípico de explosão ligada a uma anã branca que acumula material de uma estrela companheira rica em hélio.
O que foi observado
A erupção original, ocorrida em 2000, lançou enormes estruturas de matéria com formato lembrando asas de borboleta, formando duas correntes de detritos que ultrapassaram a extensão de um trilhão de milhas. Durante mais de duas décadas, uma densa nuvem de poeira gerada pela própria explosão impediu a visualização clara do sistema e das estrelas envolvidas.
Como foi possível avançar
Com o enfraquecimento dessa barreira de poeira, a equipe combinou imagens e espectroscopia do Hubble, TESS, VLT e outros aparelhos para mapear a geometria e a composição do sistema. As análises confirmaram que a explosão aconteceu em um sistema binário formado por uma anã branca e uma estrela de hélio — esta última já tendo perdido a camada externa de hidrogênio, expondo regiões dominadas por hélio.
Natureza da explosão e dos fragmentos
O processo apontado pelos cientistas envolve a anã branca captando material da companheira; o acúmulo sobre sua superfície aumenta pressão e temperatura até desencadear a detonação termonuclear. Ao contrário das novas comuns, ricas em hidrogênio, a V445 Puppis liberou matéria predominantemente composta por hélio. Entre as estruturas detectadas estão pequenos blocos de gás, descritos como “projéteis cósmicos”, possivelmente ricos em oxigênio, que viajaram em velocidades excepcionais.
Imagem: Divulgação
A origem desses fragmentos ainda não foi totalmente estabelecida; a equipe considera que podem ter se formado após a explosão inicial, e ressalta que estruturas desse tipo não haviam sido observadas em outras novas conhecidas.
As observações também sugerem que a anã branca retomou o processo de acreção de material da companheira, abrindo a possibilidade de uma nova erupção no futuro. Os pesquisadores apontam que o estudo desse mecanismo de repetidas novas de hélio pode lançar luz sobre a evolução de anãs brancas até explosões mais violentas, como as supernovas do tipo Ia, eventos utilizados para medir distâncias cósmicas e importantes para a investigação da energia escura.
Com informações de Olhardigital

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6