TRANSMISSÃO: Band | Max
O grupo Câmbio Negro, referência do rap brasileiro, completou 35 anos de carreira com um festival gratuito que teve como eixos a acessibilidade, a inclusão e o fortalecimento da economia criativa periférica. A celebração reuniu parceiros e integrantes históricos do coletivo e foi organizada com o objetivo de promover ampla participação social.
Formado em Ceilândia (DF) no início dos anos 1990, o Câmbio Negro lançou seu primeiro disco, Sub-raça, em 1993. Desde então, a trajetória do grupo tem sido marcada por um repertório focado no enfrentamento ao racismo e na representação das vivências das periferias brasileiras.
Segundo relatos dos próprios artistas, a preparação do festival exigiu articulação extensa com equipes, empresas e técnicos. A intenção original era realizar a comemoração em 2020, quando completariam 30 anos, mas a pandemia impediu o evento. Em 2023, “dois anos antes da nova data”, houve a mobilização para buscar recursos, parceiros e estruturação do projeto até a concretização da festa de 35 anos.
Em paralelo às comemorações, a Câmara Legislativa de Brasília concedeu ao rapper X o título de Cidadão Benemérito de Brasília, durante sessão solene proposta pelo deputado distrital Max Maciel. O reconhecimento foi descrito pelo artista como momento de grande satisfação e validação do trabalho desenvolvido pelo grupo e pela cultura Hip-Hop no Distrito Federal.
O Câmbio Negro passou por um período de afastamento antes de retornar à cena em 2018. Na pausa, o rapper X lançou dois discos solo e participou de outros projetos, além de enfrentar dificuldades financeiras e um quadro de depressão que motivou a interrupção das atividades. O retorno começou a se desenhar após convites para apresentações, incluindo participação no Festival YO! e um convite do artista GOG para uma performance conjunta, culminando na apresentação do grupo nas comemorações do aniversário de Brasília e na retomada das atividades com nova formação.
Imagem: Divulgação
No horizonte, o coletivo afirma trabalhar em diversos projetos e buscar recursos para viabilizá-los. Entre as iniciativas em andamento está o lançamento de um single em vinil em parceria com a gravadora Vinil Brasil, de São Paulo, cujas negociações estão avançadas. O grupo também produz novas faixas, prepara uma apresentação em Brasília e retoma os ensaios de estúdio, sempre enfrentando a limitação de tempo de palco — geralmente entre 40 minutos e uma hora — diante de um repertório que inclui os três discos do Câmbio Negro e dois trabalhos solo.
Quanto ao apoio institucional, os integrantes elogiaram a atuação da Abramus, destacando rapidez no retorno, conhecimento técnico sobre direitos autorais e suporte na gestão da carreira.
Fotos: Thaís Mallon | Cedidas pelo artista
Com informações de Abramus.org

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6