A consultoria e corretora StoneX revisou para cima a estimativa de moagem de cana na região Centro-Sul do Brasil para a safra 2026/27, projetando 641,1 milhões de toneladas, alta de 4,9% em relação a 2025/26. A mudança, divulgada na terça-feira (28), decorre do aumento da produtividade em meio a chuvas que beneficiaram a lavoura, mas que também tendem a prolongar o período de processamento.
Segundo a StoneX, o volume previsto fará da safra 2026/27 a segunda maior já registrada no Centro-Sul, atrás apenas do recorde de 654 milhões de toneladas em 2023/24. No entanto, as precipitações devem alongar a colheita e há risco de parte da cana permanecer para a temporada seguinte, que geralmente tem início em abril.
A projeção representa acréscimo de aproximadamente 9 milhões de toneladas em relação à estimativa de maio, impulsionada pela elevação da produtividade agrícola. Até maio, a produtividade média por hectare na safra atual estava 6,9% maior que na temporada 2025/26, alcançando 85 toneladas por hectare, aponta a StoneX.
A consultoria revisou o rendimento esperado para 2026/27 para 79,3 toneladas por hectare, um crescimento de 6,5%, conforme relatório assinado pelos analistas Marcelo Di Bonifacio Filho e Letícia Corrêa.
Os analistas destacam que o fator climático será determinante para a evolução da safra, lembrando que um El Niño forte tende a elevar as chuvas no Centro-Sul a partir de setembro. Esse cenário deve estender a colheita, e o comportamento das precipitações nos meses seguintes será crucial para determinar se as usinas conseguirão colher toda a cana disponível.
A StoneX projeta que a moagem deve ganhar ritmo entre julho e setembro, depois de sofrer atrasos em maio e, especialmente, em junho em razão das chuvas que dificultaram a colheita. Embora as usinas tentem evitar adentrar um trimestre final mais chuvoso, a consultoria espera maior volume de cana “bisada” para ser colhida entre março e maio do ano seguinte.
O relatório observa que a menor área prevista para colheita em 26/27 é compensada pelo ganho em rendimento agrícola, o que contribui para limitar a pressão sobre os preços do açúcar e do etanol.
Imagem: REUTERS/Marcelo Texeira
Queda no açúcar e recorde no etanol
A maior disponibilidade de matéria-prima não deve resultar em aumento da produção de açúcar. A StoneX estima produção de 38,7 milhões de toneladas de açúcar em 2026/27, queda de 4,2%, à medida que as usinas direcionam maior parcela da cana à produção de etanol. O mix açucareiro foi projetado em 46,1%, ante 50,4% na temporada anterior.
Os analistas afirmam que o contexto internacional, com demanda física enfraquecida, reduz a necessidade de que o Centro-Sul produza 40 milhões de toneladas de açúcar, tornando mais compatível um patamar em torno de 39 milhões de toneladas com o balanço global e os preços.
Em contrapartida, o mix para álcool foi estimado em 53,9% para 2026/27, contra 49,6% em 2025/26, elevando a produção total de etanol a um recorde de 38,8 bilhões de litros — alta de 15% — com contribuição também do etanol de milho.
Do total esperado de etanol, 28% deve ser de origem milho, o que corresponde a 10,8 bilhões de litros, ante 9,2 bilhões em 2025/26, considerando a entrada em operação de novas unidades produtivas. Ao final da temporada 2026/27, a StoneX projeta 47 usinas totalmente operando no Centro-Sul e mais seis no Norte-Nordeste.
Com informações de Forbes

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6