Fábio Tadeu Araújo, economista e diretor da consultoria Brain Inteligência Estratégica, afirma que a decisão de comprar um imóvel de alto padrão é movida integralmente pela emoção. À frente da empresa, que se tornou referência nacional em “real estate”, Araújo acompanha o setor há duas décadas e aponta diferenças regionais importantes no mercado de luxo, além de demandas que já se tornaram recorrentes em praticamente todo o país.

Segundo Araújo, o segmento de alto padrão varia conforme a praça: em algumas cidades a altura dos edifícios é prioridade; em outras, o acabamento ou a vista fazem toda a diferença. Em capitais litorâneas, por exemplo, a vista pode elevar o preço do imóvel em até 40%. Em metrópoles como São Paulo, a “ultra localização” — a rua ou a esquina exata — tem papel decisivo em praças com escassez de terrenos.

Apesar das diferenças, o economista identifica tendências comuns. O “wellness” aparece como valor presente do Norte ao Sul; obras de arte e fachadas assinadas por arquitetos ou marcas de luxo têm sido incluídas em projetos; e a exigência por academias profissionais é unânime entre compradores de alto padrão — 100% dos consumidores requisitam esse tipo de estrutura. Quadras de tênis em padrão profissional vêm se destacando como diferencial.

Araújo sinaliza ainda quais cidades têm mercados regionais mais dinâmicos: Belém (Norte), Fortaleza (Nordeste), Goiânia (Centro-Oeste), Curitiba (Sul) e São Paulo (Sudeste). Ele justifica a escolha lembrando que São Paulo concentra a maior economia da América Latina e grande número de empresários e executivos; Curitiba reúne renda per capita e vaidade; Goiânia combina demanda, terrenos mais baratos e legislação favorável; Fortaleza ganhou novo fôlego com legislação que permite torres de 50 a 60 pavimentos; e Belém dispõe dos melhores bairros urbanisticamente para receber projetos do segmento.

Uma pesquisa qualitativa da Brain mostra que 20% dos compradores de alto padrão aceitariam pagar até R$ 150 mil a mais por um apartamento em um prédio com fachada de design diferenciado, evidenciando a influência da estética na decisão, segundo Araújo.

Economista diz que compra de imóvel de alto padrão é totalmente emocional

Imagem: Divulgação

Sobre a história da consultoria, a Brain foi criada há 23 anos dentro da FAE Business School, em Curitiba, onde Araújo lecionava. Inicialmente a empresa fazia estudos de viabilidade para pessoas físicas com terrenos herdados. Com a abertura de capital de incorporadoras em 2007, incorporadoras de São Paulo e Rio passaram a buscar novas cidades e a Brain expandiu sua atuação. Em 2014, a consultoria desenvolveu uma metodologia em parceria com a CBIC que ampliou seu trabalho em nível nacional.

Hoje, a Brain atende ao mercado nacional com produtos como o Geobrain — sistema digital que monitora dados imobiliários em mais de 360 cidades, acompanhando preços por metro quadrado, lançamentos, vendas e potencial de compra de terrenos — e confirma que o mercado imobiliário representa 90% do faturamento da empresa. Ao longo de sua trajetória, a Brain já atendeu 2,2 mil clientes, desenvolve cerca de 300 projetos por ano, registrou crescimento de 150% sob a liderança de Araújo e ele próprio visitou mais de mil cidades para mapear o setor.

Com informações de Valor.globo