Muita gente diz que “o ano passou voando”. Essa sensação de aceleração na passagem dos dias, meses e anos é comum, sobretudo na vida adulta, e tem explicações que envolvem rotina, atenção, envelhecimento e até a organização do cérebro, segundo o neurocientista Álvaro Machado Dias, professor da Unifesp e colunista do Olhar Digital News. Em uma edição do programa Olhar do Amanhã, ele detalhou os fatores que tornam essa impressão tão presente.
A rotina e a falta de novidade
Um dos motivos apontados é a repetição de experiências. Quando os dias se parecem muito entre si, o cérebro registra menos diferenças entre momentos sucessivos, de modo que, ao recordar um período, ele parece mais curto do que de fato foi. Em contrapartida, períodos com maior variedade de acontecimentos geram mais pontos de referência na memória e, por isso, tendem a ser percebidos como mais longos.
Piloto automático e atenção reduzida
Outro elemento relevante é o estado mental durante a rotina. Pessoas que permanecem concentradas em metas, prazos e compromissos futuros costumam prestar menos atenção ao presente. Segundo Machado Dias, essa falta de atenção momentânea faz com que os dias se acumulem como séries de eventos pouco marcantes, trazendo a sensação retrospectiva de que o tempo “voou”.
A influência da idade
O neurocientista também destaca que a percepção do tempo muda com a idade porque um mesmo intervalo corresponde a parcelas distintas da vida conforme crescemos. Um ano representa 20% da vida de uma criança de cinco anos, mas passa a ser uma porcentagem menor em idades mais avançadas. Essa alteração de proporção ajuda a explicar por que fases que antes pareciam longas passam a ser sentidas como mais curtas.
Hipótese neurológica
Além dos fatores comportamentais, existe uma proposta neurocientífica que relaciona a sensação de aceleração à complexidade crescente das conexões cerebrais. Pesquisadores, incluindo grupos de Harvard citados pelo especialista, sugerem que, na infância, as redes neurais têm menos elos e a informação é processada por caminhos mais curtos, o que favorece um registro mais imediato das experiências. Com o amadurecimento cerebral, a circuitaria se torna mais densa, exigindo percursos maiores para processar estímulos e, por isso, o registro pode demorar mais, levando à impressão de que o tempo passa mais depressa.
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Reflexão sobre viver o presente e práticas que ajudam
Machado Dias afirma que a sensação persistente de que o tempo escapou pode sinalizar uma vida vivida no automático e com alto nível de ansiedade. Ele recomenda avaliar hábitos e a maneira como se organiza a rotina quando alguém sente que terminou um período sem realmente tê-lo vivido. Como exemplo de intervenção, cita a meditação, que tem evidências de reduzir ansiedade e aumentar a atenção ao momento presente, o que pode alterar a percepção da passagem do tempo. Ainda assim, o especialista não apresenta a prática como solução universal, mas como uma estratégia que pode ser útil para algumas pessoas.
O tema reúne explicações comportamentais e hipóteses neurológicas que, juntas, ajudam a compreender por que a impressão de que o tempo acelera tende a crescer com a idade e com padrões de vida mais automáticos.
Com informações de Olhardigital

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6