TRANSMISSÃO: Band | Record

Os sete integrantes do BTS anunciaram em 29 de julho que não vão enviar material para consideração no Grammy Awards deste ano. A declaração coletiva foi publicada em suas contas individuais no Instagram um mês após a Recording Academy criar a nova categoria Melhor Performance de Pop Asiático.

“Decidimos não submeter uma inscrição para consideração do Grammy neste ano”, afirmou o grupo, acrescentando: “Esperamos que a música possa ser ouvida e amada pelo que ela é, em vez de ser dividida por região ou idioma. Agradecemos [nosso fandom] ARMY e todas as pessoas que sempre estiveram ao nosso lado.” A mensagem foi divulgada em coreano, fato que chamou atenção da mídia internacional.

O CEO do Grammy, Harvey Mason Jr., reagiu dizendo que ficou “triste” com a decisão e defendeu a criação da categoria, afirmando que ela foi pensada para celebrar a diversidade e o crescimento do pop vindo da Ásia, e que mais categorias significam mais reconhecimento para trabalhos de artistas.

Especialistas ouvidos pela imprensa dizem que a posição do BTS é singular no cenário musical atual e que, por isso, poucos artistas asiáticos ou coreanos adotaram publicamente a mesma postura. A medida do grupo ocorre após o sucesso mundial de Arirang, álbum de 2026 lançado em março, que chegou às paradas globais e foi bem recebido pela crítica. O lançamento teve sequência ao retorno dos integrantes do serviço militar obrigatório na Coreia do Sul.

Pesquisadores e especialistas em cultura pop sul-coreana avaliaram que a atitude do BTS indica que o grupo não busca mais validação de instituições ocidentais do mesmo modo que em anos anteriores. A professora Hye Jin Lee, da University of Southern California, afirmou que a decisão reflete um novo patamar de influência e autonomia na carreira do conjunto.

A empresa de gestão HYBE teria comunicado que a escolha foi individual do BTS e que outros artistas do selo estão livres para decidir se enviarão trabalhos ao Grammy. Isso reforça, segundo analistas, a ideia de que não há no momento muitos artistas com o mesmo alcance global do BTS para gerar impacto semelhante.

BTS decide não submeter trabalho ao Grammy e questiona nova categoria; poucos artistas seguem o exemplo

Imagem: Getty

Reações do ARMY foram majoritariamente favoráveis, com críticas ao Grammy. Figuras ligadas ao entretenimento também manifestaram apoio: a co-diretora Maggie Kang reagiu com aplausos à notícia; Tablo, do Epik High, republicou a mensagem de RM dizendo “ARIRANG > Grammys”; e Bang Yong-guk e o ator Daniel Dae Kim compartilharam publicações sobre o caso.

Especialistas e artistas citados na cobertura apontaram que criar categorias continentais, como a de “Pop Asiático”, pode simplificar excessivamente realidades culturais diversas — analogias foram feitas ao episódio de 1989, quando o Grammy premiou Jethro Tull na categoria Hard Rock/Metal em vez de nomes mais associados ao gênero.

A discussão também envolve vozes como a da professora CedarBough T. Saeji, da Pusan National University, que ressaltou que categorias gerais como Gravação do Ano ou Canção do Ano não excluem músicas de artistas não americanos, e a do tradutor Anton Hur, que apoiou a decisão do grupo nas redes sociais. O produtor Sleep Deez, que já trabalhou com o BTS, afirmou que reconhece a importância de valorizar músicas asiáticas, mas questiona a forma como esse reconhecimento está sendo estruturado.

Até o momento, poucos artistas anunciaram publicamente que seguirão o mesmo caminho do BTS, e especialistas dizem que a singularidade do grupo no mercado mundial torna improvável uma onda imediata de boicotes semelhantes.

Com informações de Rollingstone