Pesquisadores liderados pelo astrofísico Tom Wagg, do Flatiron Institute (EUA), afirmam que a Via Láctea pode conter uma população enorme de buracos negros de massa estelar — aproximadamente 170 milhões — segundo simulações da evolução galáctica ao longo de 13,6 bilhões de anos.

Simulações e métodos

O grupo desenvolveu modelos que reproduzem processos-chave da história da galáxia, incluindo a formação de estrelas, explosões de supernova, o surgimento de buracos negros e as alterações na estrutura da Via Láctea. A partir desses cálculos, os autores traçaram um mapa provável da distribuição desses objetos que não emitem luz diretamente.

Distribuição e densidade

Embora o número estimado seja muito elevado, os cientistas ressaltam que os buracos negros estelares ficam extremamente dispersos. Na vizinhança do Sistema Solar, os modelos indicam uma densidade em torno de um buraco negro para cada 6.250 parsecs cúbicos.

Movimento e legado das supernovas

As simulações mostram também que muitos buracos negros não permanecem próximos ao local em que se formaram. Explosões de supernova podem impartir impulsos consideráveis aos remanescentes, deslocando-os pela galáxia e alterando a distribuição comparada à das estrelas.

Entre as conclusões do estudo estão:

Estudo sugere que Via Láctea abriga cerca de 170 milhões de buracos negros invisíveis

Imagem: Divulgação

  • o disco de buracos negros tende a ser mais espesso que o disco estelar da Via Láctea;
  • os buracos negros de menor massa apresentam tendência a se afastar mais do plano galáctico;
  • explosões mais violentas fornecem “empurrões” maiores aos objetos recém-formados;
  • a posição atual desses corpos pode conservar informações sobre sua origem.

Implicações para a astrofísica

Os autores argumentam que localizar e medir esses buracos negros no futuro ajudará a confrontar modelos sobre como estrelas muito massivas explodem e como se formam os próprios buracos negros. A massa e os movimentos desses objetos funcionariam como registros de eventos que ocorreram há milhões ou bilhões de anos, oferecendo um meio de testar hipóteses sobre supernovas e evolução galáctica.

A disponibilidade de novos levantamentos astronômicos deverá permitir verificar as previsões das simulações; caso os dados observacionais corroborem os cálculos, essa população oculta poderá servir como um arquivo sobre a história da Via Láctea.

Com informações de Olhardigital