O banco JPMorgan Chase informou que destinará US$ 750 bilhões — o equivalente a R$ 3,82 trilhões — para iniciativas relacionadas à habitação nos Estados Unidos até 2035. O montante integra a American Dream Initiative, programa do banco voltado a apoiar pequenos negócios, ampliar o acesso à saúde e priorizar outras frentes econômicas. Segundo o comunicado, o valor representa um acréscimo de quase 40% em comparação ao que o banco investiu no setor na última década.

Plano e metas

Na área de moradia, o JPMorgan pretende financiar a construção ou preservação de 1 milhão de unidades de interesse social e ajudar 500 mil pessoas a adquirir imóveis. A instituição afirma também planejar um aumento superior a 40% no volume de empréstimos imobiliários que já concede atualmente, com objetivo de atender 200 mil compradores de primeira casa.

O banco ressaltou que usará uma combinação de dívida, capital próprio e subsídios para realizar empreendimentos em parceria com construtoras, proprietários, organizações não governamentais e governos locais. Entre as ações previstas estão a contratação de 850 consultores de crédito imobiliário, o lançamento de ferramentas digitais e a análise de produtos de crédito voltados a casas modulares e pré-fabricadas, além de oferecer assistência para pagamento de entrada em cooperação com outras entidades.

Políticas públicas e apoio legislativo

Paralelamente aos aportes financeiros, o JPMorgan informou que defenderá mudanças regulatórias para reduzir barreiras à construção. A instituição endossa medidas como a 21st Century ROAD to Housing Act, que busca simplificar processos e ampliar a oferta habitacional. O banco também apoia esforços para padronizar regras entre agentes de financiamento habitacional e programas federais, com a meta de reduzir custos do crédito e aumentar a participação do capital privado no mercado secundário de hipotecas.

Entre as propostas apoiadas estão alterações no zoneamento para permitir maior adensamento em áreas residenciais, aproveitamento de terrenos ociosos, modernização de códigos de obras e desburocratização de licenças. O JPMorgan assumiu a presidência do recém-criado Conselho Consultivo de Habitação da Câmara de Comércio dos EUA, que reúne empresas e governos para articular políticas no tema.

Reações e críticas

Nem todas as posições são unânimes. A National Low Income Housing Coalition (NLIHC) apoiou partes do pacote, mas expressou preocupações sobre a expansão do programa Rental Assistance Demonstration (RAD), pedindo fiscalização mais rigorosa das proteções aos inquilinos nas propriedades convertidas. A entidade defendeu que o Departamento de Habitação e Desenvolvimento Urbano dos EUA precise monitorar e garantir direitos já existentes e alertou que algumas provisões podem aumentar custos para locatários se forem implementadas sem salvaguardas.

O conselho editorial do Wall Street Journal chegou a qualificar a versão aprovada pela Câmara — por 396 a 13 — como um “fiasco habitacional bipartidário”, argumentando que a lei pode criar mais burocracia federal do que ampliar efetivamente a oferta de moradias, e apontando que a raiz do problema estaria em regras estaduais e locais de zoneamento e licenciamento.

Como o dinheiro será aplicado

O banco detalhou que os recursos serão divididos entre financiamento direto de projetos e atuação na esfera de políticas públicas. Entre as metas específicas estão financiar 1 milhão de unidades destinadas a famílias com rendimento de até 120% da renda média da região ao longo da próxima década; apoiar 500 mil clientes na compra de imóveis, incluindo 200 mil compradores de primeira casa; e ampliar a carteira de empréstimos hipotecários em mais de 40%.

JPMorgan anuncia investimento de US$ 750 bilhões (R$ 3,82 trilhões) em habitação até 2035

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Caso São Francisco

Parte das ações concentrar-se-á na Bay Area, onde o JPMorgan já atua. Em 2025, o banco financiou o edifício Sophie Maxwell, no bairro Dogpatch, com 105 apartamentos a preço permanentemente controlado para famílias de renda média. A partir desse projeto, o JPMorgan anunciou US$ 200 milhões para financiar um prédio de 342 unidades no mesmo terreno, o empreendimento Power Station, e até US$ 15 milhões para o Fundo de Habitação Essencial, criado pela Fifth Space, que prevê 250 unidades em Potrero Hill.

Além disso, o banco informou apoio técnico e de dados à Fundação do Urban Land Institute, em parceria com Terner Labs e conselhos locais do ULI, e destinou US$ 6 milhões em subsídios a cinco organizações de São Francisco: San Francisco Housing Accelerator Fund, Community Vision Capital & Consulting, SPUR, Housing Action Coalition e Housing California.

O prefeito de São Francisco, Daniel Lurie, afirmou que o aporte se soma a iniciativas municipais para conter a alta dos aluguéis e que ampliar a oferta de moradias é parte central desse esforço. Michael Moritz, presidente da Crankstart, declarou que a medida deve ajudar a viabilizar moradias acessíveis para trabalhadores da região, como professores, profissionais de saúde, bombeiros e motoristas de ônibus.

O JPMorgan, que já é o maior financiador de projetos residenciais multifamiliares e o maior credor de hipotecas residenciais nos EUA, posiciona essa estratégia como elemento-chave de sua American Dream Initiative, com metas financeiras e de advocacy até 2035.

Com informações de Forbes