Cientistas identificaram indícios de que a atmosfera de Plutão pode estar perdendo pressão e começando a congelar na superfície do planeta anão, conforme ele segue em sua órbita elíptica rumo a regiões mais geladas do Sistema Solar. O achado consta de um estudo liderado por Amanda Sickafoose, do Planetary Science Institute, publicado na revista Planetary Science Journal.
O que foi observado
A equipe analisou observações realizadas entre 2017 e 2023 e constatou que, após um período de estabilidade entre a passagem da sonda New Horizons, em 2015, e parte de 2021, houve uma queda na pressão atmosférica de aproximadamente 16% entre meados de 2021 e julho de 2023. Os pesquisadores interpretam essa redução como um possível sinal inicial de colapso atmosférico, quando gases se condensam e se depositam como gelo sobre a superfície.
Por que isso ocorre
Plutão descreve uma órbita altamente elíptica que o levará cada vez mais para longe do Sol até 2114, alcançando temperaturas ainda menores antes de voltar a se aproximar. Segundo os autores do estudo, trata-se do primeiro deslocamento do planeta anão para essas regiões externas desde sua descoberta, em 1930. Com o resfriamento, compostos atmosféricos — principalmente nitrogênio, além de metano e monóxido de carbono — podem passar do estado gasoso para o sólido e cair sobre o solo plutoniano.
Como os cientistas mediram a atmosfera
Sem sondas operando nas proximidades e com Plutão aparente apenas como um ponto luminoso em telescópios, o grupo recorreu à técnica de ocultação estelar. Nesse método, Plutão passa à frente de uma estrela vista da Terra; ao analisar como a luz da estrela diminui e reaparece, é possível inferir propriedades da atmosfera, como pressão e densidade. Entre 2017 e 2023, a equipe registrou dez ocultações, sendo que quatro desses eventos foram observados simultaneamente por observatórios diferentes, o que permitiu comparar dados e estudar distintas regiões atmosféricas.
Conexão entre atmosfera e superfície
Os modelos empregados no trabalho levam em conta uma atmosfera com névoa, semelhante à observada pela New Horizons durante o sobrevoo. À medida que a pressão cai, a névoa tende a se tornar menos densa e a concentrar-se em camadas mais baixas. Os autores ressaltam que o comportamento atmosférico está intimamente ligado aos depósitos de gelo na superfície, embora muitos detalhes dessa interação ainda não estejam totalmente esclarecidos.
Imagem: Divulgação
Próximos passos
Os pesquisadores afirmam que serão necessários muitos anos de monitoramento para confirmar se a recente perda de pressão representa o início de um colapso permanente da atmosfera de Plutão. Amanda Sickafoose e a equipe esperam coletar mais dados ao longo das próximas décadas para confirmar ou refutar a tendência apontada nas observações entre 2017 e 2023.
Com informações de Olhardigital

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6