Introdução

Cinco décadas após a introdução de duas toneladas do lagostim-vermelho-americano no sul da Espanha, pesquisadores afirmam que a espécie se transformou em uma das invasões biológicas mais graves da Europa. A vinda do crustáceo, ocorrida em 1974 com o objetivo de impulsionar a economia rural, provocou mudanças profundas em ecossistemas locais e gerou impactos tanto ambientais quanto econômicos.

O lagostim-vermelho-americano, trazido ao país como alternativa produtiva, agora domina cursos de água e áreas ribeirinhas, segundo estudos citados por especialistas. A presença consolidada da espécie tem afetado a fauna nativa e alterado a dinâmica dos habitats aquáticos onde se estabeleceu.

Pesquisadores apontam que a invasão alcançou proporções equivocadamente permanentes: embora a introdução tenha sido limitada — apenas duas toneladas do animal — a reprodução e a adaptação ao ambiente espanhol resultaram em ocupação ampla de rios e margens. Essas mudanças ecológicas contribuíram para perda de diversidade em alguns trechos afetados.

Além dos impactos ambientais, a proliferação do lagostim desencadeou uma atividade econômica significativa. O cultivo e a exploração da espécie passaram a movimentar milhões de euros anualmente, criando um mercado que se sobrepõe aos prejuízos ambientais em termos de receita. Esse duplo efeito — danos à biodiversidade e geração de valor econômico — complica decisões de manejo e controle.

Especialistas consultados ressaltam ainda que a erradicação completa da espécie tornou-se, na avaliação deles, inviável. Segundo esses especialistas, depois de cinquenta anos de estabelecimento, as populações do lagostim-vermelho-americano alcançaram uma presença tão disseminada que a eliminação total é considerada impossível, o que implica a necessidade de conviver com a espécie e gerir seus impactos.

Espanha importou 2 toneladas do lagostim-vermelho-americano em 1974; 50 anos depois a espécie domina rios, ameaça biodiversidade e movimenta milhões de euros

Imagem: Divulgação

O caso da introdução feita em 1974 ilustra, segundo os pesquisadores, como medidas econômicas de curto prazo podem ter consequências ambientais de longo prazo e gerar cenários complexos, que misturam perdas de biodiversidade com benefícios econômicos para determinados setores.





Com informações de Clickpetroleoegas