HORÁRIO: 3h35 (Brasília UTC-3) — TRANSMISSÃO: Space

Um estágio superior do foguete Falcon 9, da SpaceX, tinha previsão de atingir a superfície lunar às 3h35 (horário de Brasília) na madrugada desta quarta-feira (5). Astrônomos brasileiros acompanharam a passagem ao vivo, com cobertura na grade da emissora Space, mas, até o momento, nenhum telescópio capturou imagens confirmando o momento do impacto.

Relembrando o caso

O componente, com massa aproximada de 4 mil quilos, ficou mais de 18 meses em uma órbita que cruzava a região lunar após um lançamento realizado em janeiro de 2025. A estimativa de pesquisadores é que o impacto pudesse gerar uma cratera de cerca de 27 metros, informação que motivou interesse científico pela possibilidade de estudar os efeitos de colisões na superfície lunar.

Especialistas ressaltam que eventos desse tipo fornecem dados valiosos sobre a história e a composição da Lua. Diferente da Terra, a Lua carece de atmosfera e de processos geológicos que apaguem as marcas dos impactos, de modo que novas crateras ficam preservadas por longos períodos e ajudam a reconstruir a dinâmica de colisões no Sistema Solar.

O que levou o estágio até a Lua

O Falcon 9 lançado em janeiro de 2025 transportava duas sondas privadas: a Blue Ghost, da Firefly Aerospace, e a Resilience, desenvolvida pela empresa japonesa ispace. A Blue Ghost conseguiu pousar e cumprir sua missão; a Resilience não teve sucesso na tentativa de aterrissagem. O estágio superior, por sua vez, seguiu trajetória própria.

Segundo informações do acompanhamento da missão, quase todo o combustível foi consumido para inserir as sondas na região lunar, o que impediu uma reentrada controlada na atmosfera terrestre — procedimento adotado habitualmente pela SpaceX para dar fim a esses componentes. Assim, o estágio permaneceu em uma órbita alta que, ao longo do tempo, passou a cruzar a vizinhança da Lua.

Forças naturais determinaram a rota

A mudança de rumo não foi causada por manobra deliberada: com pouco combustível para correções, a trajetória do estágio foi progressivamente alterada por interações gravitacionais envolvendo Terra e Lua, além da influência da atividade solar. Essas pequenas perturbações acumuladas acabaram definindo uma rota que, conforme cálculos recentes, tornava a colisão com a Lua inevitável.

Estágio do Falcon 9 previsto para colidir com a Lua foi acompanhado por astrônomos brasileiros

Imagem: Divulgação

O episódio também reacende discussões sobre o gerenciamento de destroços e estágios após missões de alta energia, tema relevante para futuros planos de presença humana permanente, como a base prevista no polo sul lunar pelo programa Artemis. A SpaceX declara cooperar com a NASA e outras agências para desenvolver métodos mais seguros de descarte desses veículos.

Impactos artificiais já ocorreram anteriormente: em 2022, um estágio superior de um foguete Long March 3C atingiu a Lua e criou uma cratera. O evento atual deverá fornecer dados adicionais para entender esses acidentes e orientar medidas para reduzir riscos nas próximas missões.

Até que imagens ou medições confirmem o impacto, a observação segue sendo acompanhada por astrônomos e instituições interessadas em avaliar os efeitos desse episódio na superfície lunar.

Com informações de Olhardigital