Revogação eleva tensão diplomática entre Brasil e EUA
Os Estados Unidos revogaram o visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, informou o Departamento de Estado na terça-feira (4). Segundo a nota americana, a medida visa pressionar o governo brasileiro pela demora em conceder o agrément necessário para que Daniel Perez assuma a embaixada dos EUA em Brasília.
O governo norte-americano deixou claro que a retirada do visto não constitui expulsão nem altera o status de Viotti como chefe da missão brasileira em Washington. A diplomata poderá permanecer em solo americano, porém sem um visto válido. Ainda conforme os EUA, a decisão pode ser anulada caso o Brasil conceda o aval ao indicado norte-americano.
Contexto e antecedentes
O episódio amplia uma sequência de atritos entre os dois países. Há cerca de dez dias, o Itamaraty negou vistos a dois funcionários do Departamento de Estado que planejavam viajar ao Brasil. O The Washington Post reportou que esses diplomatas fariam parte de uma estratégia para questionar o sistema eleitoral brasileiro, acusação negada pelo governo dos Estados Unidos. Em Brasília, autoridades já esperavam algum tipo de retaliação de Washington.
A indicação de Daniel Perez foi anunciada pela Casa Branca em junho, antes de o governo brasileiro ser consultado formalmente, o que gerou desconforto na prática diplomática, em que costuma-se buscar o consentimento do país anfitrião antes de tornar pública uma nomeação.
Impasse sobre o agrément
O pedido formal de agrément foi enviado ao Brasil mais de duas semanas após o anúncio da indicação, e até o momento o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não fez uma manifestação. Não há prazo estabelecido para a resposta. Fontes do governo apontaram preocupação do Palácio do Planalto com a possibilidade de Perez atuar de forma relacionada ao debate sobre as eleições presidenciais brasileiras, previstas para outubro.
Além do aval do Brasil, Perez ainda precisa completar etapas internas nos EUA. Sua indicação recebeu parecer favorável de uma comissão do Senado há duas semanas, mas depende da aprovação em votação no plenário da Casa para ser confirmada.
Imagem: Getty Images
Repercussões e possíveis respostas brasileiras
A revogação do visto foge ao padrão tradicional da diplomacia americana, que costuma acompanhar medidas contra diplomatas com a declaração de persona non grata, implicando saída compulsória do país. Neste caso, o Departamento de Estado optou por revogar o visto sem declarar Viotti como persona non grata, mantendo-a formalmente no cargo.
O governo brasileiro prepara uma resposta. O Palácio do Planalto e o Itamaraty conduziram avaliação técnica e debatem a aplicação do princípio da reciprocidade. Uma reunião prevista para quarta-feira (5) deve definir a reação oficial. Entre as alternativas em análise estão a adoção de uma medida equivalente no campo de vistos ou outra ação considerada proporcional.
Uma limitação prática é que os Estados Unidos não têm um embaixador em exercício no Brasil: a missão americana em Brasília é chefiada interinamente pela encarregada de negócios, Kimberly Kelly, o que restringe opções de retaliação simétrica. Outro aspecto ponderado pelo Itamaraty é a situação operacional da própria embaixadora: caso Viotti deixe os EUA, sua volta poderia ser dificultada pela necessidade de obter nova autorização enquanto o visto permanecer revogado, o que tem sido considerado na avaliação brasileira sobre medidas a adotar.
Com informações de Forbes

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6