Um psiquiatra da Universidade da Califórnia, em São Francisco, relatou ter internado 12 pacientes em um único ano depois que eles “perderam o contato com a realidade por causa da IA”, fenômeno que ele denominou “psicose de IA”. Embora não seja um diagnóstico formal e casos tão extremos sejam incomuns, o mecanismo observado — exposição prolongada a uma voz aparentemente informada, segura e paciente — acende um alerta para gestores e executivos.
Executivos reconhecem a promessa da tecnologia, mas pesquisas recentes mostram que a confiança depositada nas ferramentas de inteligência artificial cresce rapidamente. Em uma pesquisa divulgada por meio de uma postagem no LinkedIn, 74% dos executivos disseram confiar mais nos conselhos da IA do que nos de colegas ou amigos, e 44% afirmaram que seguiriam o raciocínio da ferramenta em vez de suas próprias percepções.
Identificando os sintomas
Especialistas e estudos destacam três sinais que indicam confiança excessiva em IA entre líderes.
1. Falta de verificação
O primeiro sintoma aparece quando líderes deixam de checar adequadamente as respostas geradas pela IA. A familiaridade com textos fluentes e autoconfiantes produzidos por modelos faz com que relatórios, e-mails e documentos estratégicos criados por IA sejam aprovados com leituras superficiais. Pesquisadores de Stanford e da BetterUp chamaram o resultado de “workslop”: conteúdos com aparência polida, porém com pouco conteúdo consistente.
2. Falta de governança
O segundo sintoma é exigir o uso da tecnologia sem antes estabelecer regras de governança. Em 2025 houve uma série de determinações de CEOs que colocaram o uso da IA como expectativa básica. Em alguns casos, gestores passaram a ter de provar que a IA não conseguiria realizar uma tarefa antes de contratar alguém. Ainda assim, a pesquisa de 2026 da Grant Thornton mostrou que 78% dos executivos seniores admitiram não ter confiança suficiente de que conseguiriam passar por uma auditoria independente de governança de IA nos 90 dias seguintes.
3. Falta de confiança nos humanos
Imagem: Divulgação
O terceiro sintoma é confiar mais nas respostas da IA do que no julgamento das próprias equipes. Relatos indicam que líderes apresentam objeções da equipe a um chatbot e aceitam a resposta da ferramenta como encerramento do debate; com o tempo, as objeções deixam de ser verbalizadas e as contribuições humanas se tornam menos frequentes.
Vulnerabilidades antigas e novas
Parte desse comportamento replica vulnerabilidades antigas — delegação de comunicação, imposição de novos processos e o efeito do poder sobre o questionamento —, mas a combinação entre a promessa da IA e seu acesso imediato amplia o risco. A distância entre a disponibilidade da tecnologia e a clareza sobre como operá‑la é, segundo observadores, maior do que em inovações anteriores.
Pesquisas do autor sobre confiança indicam que sinais de aviso incluem uma sensação crescente de superioridade e queda na curiosidade. Em resposta ao avanço das ferramentas, recomenda‑se manter a prática de questionar: perguntar em que pontos a IA pode estar errada, quais alternativas foram consideradas e descartadas, e o que a equipe enxerga que o modelo não consegue capturar.
Os pacientes classificados com “psicose de IA” perderam a capacidade de duvidar de uma voz que nunca se contradizia. Líderes ainda dispõem dessa capacidade crítica e devem preservá‑la.
Com informações de Fastcompanybrasil

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6