A Iguatemi anunciou a venda de participações minoritárias em cinco shopping centers por R$ 876,1 milhões, operação realizada com o fundo TRX Real Estate FII (TRXF11). O negócio, que utiliza um cap rate médio de 7,3%, foi celebrado pelo mercado pelo volume de recursos e pelo potencial impacto na estrutura financeira da companhia. A empresa manterá o controle operacional dos empreendimentos mesmo após a alienação das fatias vendidas.

Segundo avaliação do Bradesco BBI, o montante corresponde a cerca de 12% do valor de mercado da Iguatemi. Para o banco, os recursos obtidos bastam para cobrir quase 60% do Capex previsto para 2026 e 2027, liberando capital para financiar novos investimentos e reforçar a gestão do portfólio.

O BTG Pactual mensurou a operação por outra métrica: os R$ 876,1 milhões equivalem a aproximadamente 10% do Enterprise Value (EV) da companhia, indicador que incorpora a dívida líquida. Analistas do BTG também observaram que os ativos envolvidos apresentam NOI por metro quadrado inferior à média do portfólio da Iguatemi.

O mercado ainda acompanhou o efeito da notícia sobre as ações da empresa. Por volta das 10h16 (Brasília UTC-3) desta segunda-feira (10), os papéis subiam 1,64%, sendo negociados a R$ 24,73.

Em termos de alavancagem, a Iguatemi mantém relação entre dívida líquida e Ebitda inferior a duas vezes, indicador levado em conta por investidores ao avaliar a operação. A transação é vista como parte de uma estratégia de reciclagem de capital, na qual a companhia converte parcelas de seu portfólio em recursos líquidos para financiar expansão, sem aumentar de forma relevante seu endividamento.

O Citi também avaliou a operação de maneira favorável, destacando as condições financeiras do acordo e o avanço da estratégia de liberação de capital adotada pela empresa.

Iguatemi vende participações em cinco shoppings e capta R$ 876,1 milhões

Imagem: Divulgação

Bancos projetam ações entre R$ 25 e R$ 34

O desfecho da transação influenciou recomendações sobre as ações da Iguatemi. O BTG Pactual manteve recomendação de compra para IGTI11 e preço-alvo de R$ 25. Já o Bradesco BBI também recomenda compra, mas fixa preço-alvo em R$ 34, nível que, considerando a cotação de R$ 24,73 registrada na manhã de segunda, representa uma diferença de aproximadamente 37% em relação ao valor negociado naquele momento.

A combinação entre os R$ 876,1 milhões levantados, a cobertura de quase 60% dos investimentos previstos para 2026 e 2027 e a manutenção de alavancagem abaixo de duas vezes ajuda a explicar a recepção positiva do mercado à operação. Mais do que reduzir participações, a Iguatemi transforma parte de seu portfólio em capital para financiar os próximos movimentos da companhia.

Com informações de Portalin