A diretora de Digital e Informação da AGCO, Jena Holtberg-Benge, afirma que o principal risco na agricultura moderna não é falta de dados, mas a incapacidade de transformá-los em decisões práticas. A fabricante global de equipamentos agrícolas tem investido em inteligência artificial para reduzir a complexidade gerada pelo grande volume de informações produzidas nas lavouras e ajudar produtores a aumentar produtividade e reduzir custos.

Quem e onde

Jena Holtberg-Benge, que trabalha na sede da AGCO em Duluth, Geórgia (EUA), assumiu a direção de Digital e Informação em 2026. Antes disso, ela liderou a área global de peças de pós-venda da companhia, experiência que, segundo a executiva, a colocou na posição de cliente interna das soluções tecnológicas que agora coordena.

O que a AGCO faz e por que

Com receita próxima de US$ 10 bilhões (R$ 51 bilhões na cotação atual) em 2025, a AGCO tem incorporado IA em máquinas, plataformas digitais e na rede de concessionários. “A AGCO considera a agricultura de precisão a resposta para um dos principais desafios dos agricultores”, disse Jena, ao explicar que o objetivo é permitir “produzir mais com menos”.

Investimentos e prioridades tecnológicas

Em 2025, a empresa destinou US$ 487,7 milhões (R$ 2,50 bilhões) a despesas de engenharia, dos quais US$ 374,5 milhões (R$ 1,92 bilhão) foram especificamente para pesquisa e desenvolvimento. A AGCO informou que 47% desses investimentos em engenharia, pesquisa e desenvolvimento foram direcionados a máquinas inteligentes e tecnologias limpas, incluindo soluções baseadas em IA, sem detalhar quanto foi alocado exclusivamente para inteligência artificial.

Abordagem técnica e parcerias

A joint venture com a Trimble, estabelecida em 2024, juntou os recursos da AGCO em agricultura de precisão ao portfólio tecnológico da Trimble, ampliando ofertas como sistemas de orientação, tecnologias de direção, pulverização direcionada e soluções para agricultura autônoma. A AGCO prioriza uma estratégia “retrofit-first”, voltada à adaptação de equipamentos existentes, reconhecendo que muitas propriedades operam frotas mistas de diferentes marcas.

Da coleta à ação

Jena destaca que as propriedades modernas geram dados contínuos de sensores, monitores de produtividade e sistemas meteorológicos. O desafio, segundo ela, é evitar que esses dados causem “paralisia”. Para isso, a AGCO desenvolve a plataforma PTx Farm Management, que unifica informações de frotas mistas em uma visão operacional única, com o propósito de entregar “informação no momento certo, na etapa certa do ciclo da cultura, para ajudá-los a tomar a decisão correta”.

Risco na agricultura é a paralisia provocada pelos dados, diz Jena Holtberg-Benge, da AGCO

Imagem: Divulgação

A rede de concessionários também tem recebido ferramentas baseadas em IA para identificar peças de reposição, responder mais rapidamente e alertar proativamente sobre contratos de manutenção ou assinaturas de telemetria próximas do vencimento, reduzindo tempo de inatividade dos equipamentos.

Capacitação interna e uso de agentes de IA

Internamente, a AGCO ampliou programas de capacitação em IA no último ano e incentiva a aplicação prática das novas tecnologias. Jena desenvolveu agentes de IA que acompanham avanços tecnológicos, resumem notícias do setor, preparam materiais para reuniões e analisam contratos e escopos de trabalho, com o objetivo de dedicar mais tempo à tomada de decisão.

Foco no agricultor

Com informações de Forbes