O JPMorgan reavaliou sua recomendação para o mercado acionário do Brasil, rebaixando-a de “overweight” — expectativa de desempenho acima da média — para “neutra”. A revisão, divulgada em relatório do banco, foi motivada principalmente pela proximidade das eleições presidenciais de outubro e pelas incertezas que podem elevar a volatilidade nos próximos meses.

Os analistas do JPMorgan, liderados por Rodolfo Angele, apontam que tanto as ações quanto o real seguem em uma faixa de negociação relativamente estreita. Com a disputa eleitoral se aproximando, o banco entende que o risco de manter maior exposição ao mercado brasileiro perdeu atratividade, já que fatores políticos tendem a pesar na precificação dos ativos.

Além do componente político, a instituição destaca uma combinação de restrições macroeconômicas que podem limitar o desempenho dos ativos locais. Entre os elementos citados estão juros reais elevados, déficit fiscal persistente, desaceleração da atividade econômica e deterioração do ciclo de crédito. Essas condições, na avaliação do JPMorgan, devem compor a agenda do próximo governo e afetar crédito, consumo, investimentos e resultados das empresas listadas na Bolsa.

O relatório também traz projeção para a política monetária: o banco espera mais um corte de 0,25 ponto percentual na taxa de juros em setembro. Após essa redução, a previsão é de interrupção no processo de cortes, com a taxa básica permanecendo sem novos cortes até o segundo trimestre de 2027.

Segundo o JPMorgan, esse cenário reforça a perspectiva de condições financeiras relativamente mais restritivas por um período prolongado. A mudança para a recomendação “neutra” não representa orientação para saída do mercado brasileiro, mas reflete uma visão mais equilibrada sobre o potencial das ações do País em face dos riscos de curto prazo.

JPMorgan reduz recomendação para ações brasileiras citando incertezas eleitorais e riscos macroeconômicos

Imagem: Reuters

A revisão ocorre cerca de dois meses antes do pleito presidencial de outubro, quando propostas sobre política fiscal, trajetória da dívida pública e condução da economia devem ganhar maior influência sobre as decisões dos investidores. Diante desse quadro, o banco optou por reduzir a exposição recomendada ao Brasil até que haja maior clareza sobre o cenário político e econômico para os próximos anos.

Com informações de Portalin