‘Cuida do Pet’ no topo da Billboard e do Spotify ao mesmo tempo. Dez funks nas 20 primeiras posições do Hot 100 Brasil. Não é coincidência. É o funk assumindo o lugar que sempre foi dele
Chega de debate. Chega de “será que o funk é mainstream?”. Chega de tratar o gênero como tendência passageira ou fenômeno de nicho.
Em 2026, os dados falam por si: o funk é o gênero mais ouvido do Brasil.
Não em uma plataforma. Não em uma região. No país inteiro, de ponta a ponta, nas métricas mais completas que existem para medir consumo musical.
O ranking que não mente
O Billboard Brasil Hot 100 é o termômetro mais honesto do que o Brasil está ouvindo. Diferente de rankings de plataforma única, ele agrega dados de todas as principais fontes de streaming de áudio e vídeo do país — Spotify, YouTube Music, Apple Music, Deezer e outras — compilados semanalmente pela Luminate.
Resultado da última atualização: funk ocupa dez das vinte primeiras posições.
Não é metade do top 20 por acidente. É o reflexo de um gênero que domina o YouTube, incendeia o TikTok, pauta o Spotify e ainda move multidões nos bailes e nas ruas. O funk não precisa de uma plataforma. Ele está em todas.
‘Cuida do Pet’: quando o funk para o Brasil inteiro
Se ainda existia alguma dúvida, “Cuida do Pet” encerrou a discussão.
A faixa de MC Iguinho CT, Aaron Modesto, MC Negão Original, Oldilla, Du’L, MC Willian e DJ Aladin GDB chegou ao número 1 do Hot 100 Brasil na semana de 17 de agosto — depois de 11 semanas construindo força no ranking. Mas não ficou só na Billboard: a música também aparece no topo do Spotify Brasil, o que significa uma coisa muito específica.
“Cuida do Pet” não é só o funk mais ouvido do Brasil. É a música mais ouvida do Brasil.
Ponto final.
A trajetória da faixa diz muito sobre como o funk opera hoje. Antes mesmo do lançamento oficial em 29 de maio, prévias já circulavam no TikTok e criavam antecipação orgânica. Em julho, liderava o ranking diário do YouTube Music e entrava no top 10 do Spotify. Semana após semana, foi escalando o Hot 100 até chegar onde sempre deveria estar: no topo.
Lançada pela Oldilla Records — um selo independente — sem o aparato de uma grande gravadora tradicional, “Cuida do Pet” prova que o funk não precisa de permissão para dominar.
O sertanejo no Spotify: força real, mas jogo diferente
Seria desonesto ignorar: o sertanejo tem uma presença sólida e consistente no Spotify Brasil. É um gênero com base de ouvintes fidelíssima, produção profissionalizada e décadas de estrada.
Mas existe uma diferença crucial entre os dois gêneros nesse momento.
O sertanejo acumula streams de forma estável — ouvintes fiéis que retornam às músicas que já conhecem. O funk explode. Ele viraliza, domina o algoritmo, gera conteúdo espontâneo, puxa novos ouvintes e cria hits do zero em semanas. É uma dinâmica diferente de consumo, e é exatamente por isso que, quando o jogo é ampliado para todas as plataformas, o funk lidera.
O Hot 100 Brasil captura esse movimento inteiro. E o resultado é claro.
Funk de rua, funk colaborativo, funk com selo próprio
Outro dado que chama atenção no ranking atual: a maioria dos funks no topo não vem de grandes gravadoras. Vem de selos independentes, de colaborações entre artistas da cena, de faixas construídas de forma coletiva com múltiplas vozes.
“Cuida do Pet” tem sete artistas creditados. “Famoso Ímã / O Poderoso Chatão” reúne quatro nomes. “Diário de um Cafajeste” junta outros quatro. É o funk operando da forma que sempre operou: em comunidade, em parceria, sem esperar que alguém de fora valide o que já é gigante por dentro.
Artistas como MC Jacaré — que aparece em quatro das quinze faixas de funk mais ouvidas do Hot 100 Brasil nesta semana — constroem presença não por um hit isolado, mas por uma consistência de lançamentos que mantém o nome no radar semana após semana.
O que o arrocha está sinalizando
Um terceiro gênero merece atenção: o arrocha. Com raízes no Nordeste e uma base de fãs que sempre foi apaixonada mas regionalizada, o arrocha aparece com frequência crescente entre as músicas mais ouvidas do Brasil nas últimas semanas.
Não é uma coincidência. É o streaming fazendo o que deveria ter feito há mais tempo: deixar aparecer o que sempre esteve lá. O Brasil musical é muito maior do que o eixo Rio-São Paulo, e os rankings de 2026 estão começando a refletir isso.
Mas mesmo com o arrocha em ascensão, o funk segue inabalável no topo. São dinâmicas que coexistem — e que juntas pintam um quadro cada vez mais rico e diverso do que o Brasil realmente ouve.
Funk não é tendência. É estrutura.
Na GR6, a gente não precisa de ranking pra saber disso. Mas é sempre bom quando os números confirmam o que a rua já dizia.
O funk nasceu nas periferias. Cresceu sem apoio institucional. Foi proibido, discriminado, ignorado pelas rádios tradicionais durante décadas. E mesmo assim chegou onde chegou: no topo das músicas mais ouvidas do Brasil, nas playlists editoriais mais importantes do Spotify, no número 1 do Hot 100 Brasil.
Não foi sorte. Foi resistência. Foi cultura. Foi um gênero que nunca precisou de validação externa porque já tinha a validação mais importante de todas: o povo.
Em 2026, os algoritmos finalmente estão de acordo com as ruas.
Sobre esse assunto, a rua sempre soube primeiro.
A GR6 é uma das principais produtoras de funk e música urbana do Brasil. Acompanhe o site semanalmente para análises do Hot 100 Brasil e os movimentos da cena.

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6