Brasil é o 8º maior mercado de música do mundo, e a economia da música nunca foi tão grande
31
agosto
Gudyê GR6
Streaming gerou R$ 2 bilhões em royalties para artistas brasileiros em 2025. Entenda o que esse número representa e por que o momento é histórico para quem vive de música
Gráfico representando o crescimento do mercado de música no Brasil — 8º maior do mundo em 2025
O Brasil chegou a um marco que merece ser dito em voz alta: o país é agora o 8º maior mercado de música gravada do mundo.
Não é uma projeção. Não é uma tendência. É um dado que coloca o Brasil ao lado das maiores economias musicais do planeta — e que muda o tamanho das oportunidades para artistas, produtoras, distribuidoras e empresários do setor.
A fase bilionária da música brasileira chegou. E ela veio para ficar.
O streaming como motor dessa transformação
Se existe um elemento central nessa virada, ele tem nome: streaming.
Em 2025, artistas brasileiros geraram aproximadamente R$ 2 bilhões em royalties apenas no Spotify — um crescimento de cerca de 24% em relação ao ano anterior. O número que talvez seja ainda mais revelador: a quantidade de artistas brasileiros que ultrapassaram R$ 1 milhão em royalties na plataforma mais que dobrou nos últimos três anos.
Isso significa que o mercado digital não está apenas criando um ou dois fenômenos isolados. Está criando uma nova camada de artistas profissionais — gente que constrói carreira sustentável a partir das plataformas, sem depender exclusivamente de shows ou do modelo tradicional da indústria.
Para o empresário Murillo Conventi, referência no mercado musical brasileiro, o movimento representa uma mudança estrutural:
“Hoje, o artista tem muito mais possibilidades de construir uma carreira. O streaming, as redes sociais, os vídeos curtos e as plataformas digitais mudaram completamente a forma de descobrir, divulgar e monetizar um artista.”
O funk brasileiro chegando onde nunca chegou
Dentro desse crescimento, o funk brasileiro merece destaque especial.
O gênero que nasceu nas periferias, foi proibido nas ruas e ignorado pelas rádios tradicionais durante décadas está, em 2026, conquistando espaço internacional de forma consistente. O funk não está apenas dominando os rankings nacionais — está cruzando fronteiras e chegando a mercados que até pouco tempo atrás nem sabiam que existia.
Ao mesmo tempo, gêneros como sertanejo, pagode, trap, forró, piseiro e arrocha continuam movimentando grandes públicos dentro do Brasil, cada um com suas bases fiéis e seus próprios ciclos de crescimento. A diversidade de gêneros que o país produz é, em si, um dos motores do posicionamento brasileiro entre os maiores mercados do mundo.
Um mercado mais acessível — e mais competitivo
Um dos aspectos mais relevantes desse novo cenário é a democratização do acesso.
Com as ferramentas digitais disponíveis hoje, um artista independente consegue lançar músicas, construir audiência, viralizar nas redes sociais e transformar esse alcance em oportunidades comerciais — sem precisar de um contrato com grande gravadora para começar.
Isso não significa que ficou fácil. Significa que ficou possível.
Murillo Conventi resume bem o paradoxo desse momento:
“O mercado está mais competitivo, mas também está mais aberto. Hoje, um artista novo pode construir uma audiência, testar uma música, viralizar nas redes e transformar esse movimento em uma carreira. A música brasileira está vivendo um momento de muita oportunidade.”
A economia da música vai muito além do streaming
Quando se fala em mercado musical, é fácil reduzir a conversa ao número de streams. Mas a economia da música é muito maior do que isso.
O setor movimenta bilhões em:
Shows e eventos ao vivo
Direitos autorais e royalties
Publicidade e contratos comerciais
Distribuição digital
Produção audiovisual
Criação de conteúdo para marcas
É uma cadeia produtiva completa — e cada elo dessa cadeia está crescendo junto com o streaming, não em substituição a ele.
O que esse momento representa para quem está na música agora
Para artistas, produtores, empresários e qualquer pessoa que trabalha com música no Brasil, o recado do mercado é claro: o timing é agora.
O país nunca esteve tão bem posicionado globalmente. O público nunca consumiu tanta música. As ferramentas para construir carreira nunca foram tão acessíveis. E a janela de oportunidade para artistas que combinam talento com estratégia digital nunca foi tão real.
A música brasileira se consolidou como uma das grandes forças da economia criativa — e os dados de 2025 mostram que o crescimento não dá sinais de desaceleração.
Oitavo maior mercado do mundo. R$ 2 bilhões em royalties em um único ano. Funk nas paradas internacionais.
Esse é o Brasil da música em 2026. E esse capítulo está só começando.
Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6