TÍTULO: Como o funk se tornou um negócio global e fenômeno cultural SLUG: potencia-funk-negocio-fenomeno-cultural CONTEÚDO:
Rodrigo Oliveira, fundador da GR6, um dos principais estúdios de música da América Latina, relatou sua trajetória do pagode ao universo do funk e detalhou o crescimento do gênero como movimento cultural e oportunidade de negócio. Filho de Recife, transferiu-se aos oito anos para São Paulo, onde passou uma década vivendo em um porão e iniciou a carreira musical em um grupo de pagode. “Comecei a conhecer bares, baladas; o funk do Rio já crescia muito em São Paulo. Aí passei a cantar e a organizar eventos”, explicou.
A transição de músico a empresário não foi simples. Segundo Oliveira, seus primeiros cachês eram de R$ 50 por apresentação em bares. Hoje, ele mantém uma estrutura robusta na periferia paulistana e é sócio de majors como Warner Music, Sony Music e Universal Music. O ponto de virada ocorreu em 2019, com um contrato de US$ 40 milhões para distribuição de conteúdo com a Universal, investimento que permitiu à GR6 ampliar sua infraestrutura durante a pandemia, enquanto outros setores enfrentavam retração.
“No pós-pandemia, o negócio só cresceu. Dentro da GR6, o artista conta com gestão financeira, psicólogo, aula de canto e de música. Cuidamos como se fosse família”, afirmou. A estratégia incluiu a produção massiva de clipes para o YouTube, onde o canal da gravadora soma mais de 40 milhões de inscritos e registra 250 milhões de visualizações diárias. Apesar disso, Oliveira reconhece que o poder de promoção migrou parte para o TikTok, com vídeos curtos e dancinhas virais, mas ressalta que clipes ainda são fundamentais para lançar novos nomes.
Do funk marginalizado, o ritmo alcançou projeção internacional, impulsionado por artistas como Anitta, Ludmilla e MC Livinho. “É o único gênero brasileiro com real capacidade de atravessar oceanos. Mesmo sem entender a letra, o estrangeiro não resiste à batida”, observou. Em resposta a essa demanda, a GR6 planeja inaugurar a Casa GR6 em Miami e lançar um selo em Portugal.
Apesar do avanço, Oliveira admite que o segmento ainda enfrenta preconceito. Para combater essa visão, a empresa promove iniciativas voltadas a artistas mulheres, como um camping exclusivo e, em breve, um estúdio dedicado ao público feminino. Além disso, parcerias com marcas como Lacoste, Nike, iFood e 99 são vistas como instrumentos de legitimação. Segundo ele, o funk chegou a reavivar a Lacoste no Brasil, levando a marca a incluir o país em sua campanha de 90 anos.
No âmbito da publicidade, a GR6 fechou em 2023 acordos com Ogilvy e David para o projeto Crias, que adapta a linguagem do funk ao mercado publicitário. Em streaming, Oliveira destaca o bom retorno financeiro, sobretudo para artistas iniciantes, exemplificado pelo set “Cracolândia”, criado em parceria com Alok, que ultrapassou 500 milhões de visualizações e segue gerando receita.
Por fim, o empresário ressaltou a importância das grandes gravadoras – Sony Music, Universal Music e Som Livre – e de produtoras independentes, como o escritório KondZilla, e afirmou que a exibição em TV contribui para a consolidação do gênero. Oliveira também manifestou apoio ao prefeito Ricardo Nunes, afirmando que “suporte quem está fazendo pelo nosso movimento”.
Com informações de Meioemensagem

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6