A aprovação provisória, pela União Europeia, do acordo de livre-comércio com o Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai) pode gerar ganhos para empresas do setor de agro e alimentos listadas na B3, segundo analistas de mercado.
O pacto, o maior já firmado pela UE, prevê a eliminação de tarifas sobre 91% das exportações europeias para o Mercosul, incluindo automóveis, ao longo de 15 anos, reduzindo gradualmente a alíquota atual de 35%. Em contrapartida, serão zeradas tarifas sobre 92% das exportações do Mercosul para a UE em até dez anos.
Produtos agrícolas europeus, como vinhos (tarifa de 27%) e destilados (35%), terão as taxas eliminadas, enquanto o Mercosul receberá cotas maiores para itens sensíveis. Haverá acréscimo de 99.000 toneladas de carne bovina isenta de tarifa e 30.000 toneladas de queijos sem imposto. Também foram definidas quotas para aves, suínos, açúcar, etanol, arroz, mel, milho e para leite em pó e fórmulas infantis.
Segundo o Goldman Sachs, as tarifas sobre produtos brasileiros não devem mudar, mas os volumes poderão crescer dentro das cotas. Para o restante do bloco, prevê-se redução próxima de zero para carne suína e de aves e expansão das importações. O banco cita estudo do IPEA que indica potencial aumento de 9% na produção brasileira de suínos e aves, após a implementação total do acordo, e de 0,2 ponto percentual no restante do Mercosul.
Em relação às empresas, o Goldman Sachs aponta expectativa de crescimento de um dígito baixo no Ebitda da MBRF3 até 2027. A especialista Bruna Pacheco, da GT Capital, destaca que a Marfrig tem capacidade imediata de ampliar vendas na Europa, enquanto a BRF pode se beneficiar de melhorias em rastreabilidade e sustentabilidade.
A JBS (JBSS32) também deve ser favorecida pela diversificação geográfica e forte presença na UE. A analista ressalta ainda que a Minerva (BEEF3) ganha em margens e previsibilidade.
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No setor de papel e celulose, a demanda europeia por embalagens renováveis pode beneficiar a Suzano (SUZB3) e a Klabin (KLBN11). Já nas áreas de açúcar, etanol e bioenergia, empresas como São Martinho (SMTO3), Raízen (RAIZ4) e Jalles Machado (JALL3) estão bem posicionadas para atender aos requisitos ambientais do mercado europeu.
Analistas afirmam que companhias com histórico de exportação, escala produtiva e governança regulatória sairão na frente na disputa por novos mercados.
O acordo ainda depende de aprovação legislativa definitiva na União Europeia e nos países do Mercosul.
Com informações de Infomoney

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6