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Agentes de inteligência artificial devem assumir tarefas como localizar as tarifas aéreas mais baixas e completar a compra sem a intervenção do usuário, segundo iniciativas em teste no Brasil. A tecnologia, parte do chamado “comércio agêntico”, visa automatizar desde a busca por opções até o pagamento da passagem.

Inteligência artificial e testes no Brasil

Empresas de meios de pagamento e bandeiras de cartão estão em fase de experimentos com transações conduzidas por agentes autônomos. Em março, a Visa realizou no país as primeiras operações totalmente executadas por agentes de IA usando cartões emitidos pelo Banco do Brasil e pelo Santander, com processos de autenticação, controles de segurança e tokenização conduzidos pela própria bandeira.

Segundo a Visa, a experiência técnica validou o modelo agêntico e atraiu o interesse de outros emissores. Pouco mais de dez dias após o anúncio da Visa, a Mastercard também realizou compras agênticas no Brasil com cartões do Itaú Unibanco e do Santander, envolvendo pagamentos ao vivo em crédito e débito para itens que variaram entre cosméticos e produtos de supermercado.

Executivos das empresas envolvidas ressaltam que o objetivo é oferecer uma experiência de compra ágil e segura. A Mastercard destacou a demanda dos consumidores por jornadas de compra mais convenientes, enquanto a Elo foca em reduzir a fragmentação da experiência online, integrando catálogos de varejistas e facilitando a participação de pequenas e médias empresas.

Aplicação em passagens aéreas

A Elo, em parceria com a agência digital Decolar, desenvolve um piloto de agente de IA capaz de conduzir todo o processo de compra de passagens, da busca ao pagamento. A ferramenta deve permitir concluir transações por canais como WhatsApp, chats em sites ou interfaces baseadas em grandes modelos de linguagem, como ChatGPT e Gemini.

O CTO da Elo, Eduardo Merighi, afirmou que, inicialmente, o fechamento da compra ainda exigirá autorização explícita do usuário por questões de segurança, mas que a tendência é aumentar o nível de autonomia à medida que o agente acumule conhecimento sobre as preferências do cliente.

Imagem: Divulgação

Escala e obstáculos

Analistas do setor afirmam que a adoção em larga escala depende da adesão do varejo e da capacidade tecnológica dos bancos emissores. Há expectativa de que os primeiros casos de uso de maior adesão surjam em ambientes verticais fechados — sites, aplicativos ou marketplaces específicos — enquanto um modelo horizontal, que faria buscas e compras em qualquer plataforma, é considerado mais complexo e ainda não existe em escala global.

Projeções da McKinsey & Company indicam que agentes de compras autônomas podem movimentar até US$ 5 trilhões globalmente até 2030. Pesquisa da Morning Consult, encomendada pela Visa, apontou que sete em cada dez brasileiros já usam IA para comparar preços, buscar sugestões de presente ou apoiar decisões de compra, percentual superior ao observado em outros mercados.

Executivos da indústria, como Frederico Succi, da Visa, e Eduardo Arnoni, da Mastercard, avaliam que o Brasil tem perfil favorável à adoção dessas inovações, citando experiências recentes com Pix, pagamento por aproximação e Tap On Phone.

O desenvolvimento dos agentes agênticos segue em testes e pilotos, com participação de bandeiras, emissores e varejistas, enquanto a transição para operações totalmente autônomas dependerá da evolução das tecnologias e de parâmetros de segurança.

Com informações de Infomoney