Manifestação em frente à Chancelaria
Na manhã de 9 de janeiro de 2026, centenas de agricultores poloneses ocuparam a praça Plac Defilad, em Varsóvia, para repudiar o acordo comercial firmado entre a União Europeia e o Mercosul. A mobilização, organizada por sindicatos rurais locais, reuniu tratores, faixas e sinalizadores em frente à Chancelaria do Primeiro-Ministro, cobrando posicionamento firme do governo de Varsóvia.
Negociações e bloqueio de fronteira
Nos dias que antecederam o ato, produtores rurais chegaram a interromper o fluxo na passagem de Medyka, na fronteira com a Ucrânia, bloqueando uma das principais rotas terrestres de comércio. A paralisação só foi suspensa após o governo polonês se comprometer oficialmente a votar contra o tratado em futuras deliberações.
Reação do governo
O presidente da Polônia, Karol Nawrocki, recebeu representantes dos manifestantes antes da concentração, buscando mediação. Já o ministro da Agricultura, Czesław Siekierski, compareceu ao local para negociar diretamente e anunciou, em mensagem na rede social X, que a oposição ao acordo será formalizada como posição oficial de Varsóvia e do Parlamento.
Temores dos produtores
Os agricultores temem a chegada maciça de produtos agrícolas mais baratos e submetidos a padrões sanitários considerados menos rígidos, o que poderia comprometer a competitividade do setor interno. Segundo Siekierski, essa ameaça motivou a decisão de buscar suporte político contra o tratado.
Contexto europeu e salvaguardas
O acordo UE-Mercosul foi aprovado na última reunião de embaixadores em Bruxelas, após mais de 20 anos de negociação, mas ainda aguarda votação no Parlamento Europeu. Para garantir apoio, foram incluídos mecanismos de salvaguarda, antecipação de € 45 bilhões em subsídios agrícolas e redução de tarifas de certos fertilizantes.
Imagem: Divulgação
Pressões de outros países
A Itália teve papel central na definição das cláusulas de proteção, com o ministro Francesco Lollobrigida defendendo a redução do gatilho de importações de 8% para 5%. França, Polônia, Hungria, Áustria e Irlanda mantêm votos contrários, enquanto a Bélgica optou pela abstenção. O Parlamento Europeu ainda precisará confirmar o aval para a entrada em vigor do tratado.
Aguardam-se os próximos passos na votação final, que definirão o futuro das exportações agrícolas entre Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai e os países do bloco europeu.
Com informações de Infomoney

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6