Cientistas na Alemanha desenvolveram um processo para reaproveitar chumbo de projéteis do século XVII na fabricação de células solares de perovskita, segundo estudo publicado na revista Cell Reports Physical Science. A equipe afirma que o metal extraído de munições históricas pode ser purificado e integrado à estrutura das perovskitas, resultando em painéis com alto desempenho.

Quem e onde

Pesquisadores alemães trabalharam com chumbo recuperado de projéteis datados de 1600 encontrados em campos de batalha na Alemanha. O material histórico passou por tratamento químico em laboratório até alcançar a pureza necessária para uso em semicondutores fotovoltaicos.

O que foi feito e como

O método envolve a dissolução controlada do chumbo, processo destinado a eliminar impurezas acumuladas durante séculos de exposição ao solo. Em seguida, o metal purificado é transformado em precursores compatíveis com a formação da camada de perovskita, responsável pela conversão da luz em eletricidade. Os pesquisadores reportaram o uso de solventes considerados “verdes” na etapa de refino químico.

Resultados e desempenho

Testes laboratoriais indicaram que o chumbo histórico, após purificação, apresenta eficiência de conversão equivalente ao chumbo comercial de alta pureza. As células fabricadas com esse material mantiveram mais de 90% da eficiência após centenas de horas de operação sob luz solar artificial, segundo o estudo. Os cientistas também observaram que a oxidação natural ocorrida ao longo dos séculos não impede a reutilização do metal.

Vantagens e impactos

Os autores destacam benefícios ambientais e econômicos: a reciclagem reduz a necessidade de nova mineração, diminui a pegada de carbono inicial da produção e dá um destino útil a resíduos tóxicos. Entre os números divulgados está uma redução de 60% no consumo de energia em comparação ao processo de extração de chumbo virgem. Além disso, a purificação elimina contaminantes presentes em solos de antigos conflitos e pode reduzir o custo de fabricação de dispositivos fotovoltaicos.

Alemanha recicla munições do século XVII para produzir painéis solares de perovskita

Imagem: Divulgação

Potencial para outros materiais

O trabalho com chumbo abre caminho para avaliar outros metais históricos para aplicações tecnológicas, como cobre de moedas antigas ou estanho recuperado de naufrágios. Segundo os pesquisadores, a mineração urbana e arqueológica pode se tornar fonte de matérias-primas críticas sem a destruição de novos habitats.

Os resultados apontam que materiais do passado podem ser reaproveitados para acelerar a transição para fontes renováveis, ao mesmo tempo em que reduzem impactos ambientais associados à extração de recursos.

Com informações de Olhardigital