A cantora Alinne Rosa relatou os bastidores dos dias de Carnaval, destacando momentos de desconforto e improviso. Em participação no podcast e videocast g1 Ouviu, nesta quinta-feira (5), ela comentou como a maratona no trio elétrico pode ser exaustiva e, por vezes, pouco glamourosa.

“Xixi no copo é real. E uma vez eu confundi copo de xixi com copo de energético. Aí senti o puro sabor da Alinne Rosa”, relatou a artista, aos risos. Além dessa cena inusitada, Alinne também revisitou um episódio histórico de sua carreira: o beijo dado em Daniela Mercury durante uma apresentação em 2008. Na visão dela, o gesto marcou um momento de maior liberdade, à época considerado ousado pela mídia.

Em 2026, Alinne Rosa prepara um bloco de Carnaval que valoriza a identidade nacional. Ela afirmou que a dimensão política sempre está presente em seu trabalho, ainda que de forma leve. “Eu tenho um público muito forte LGBTQIAPN+. Gosto de usar minha voz para dar visibilidade a essas pautas. Fazer arte é um ato político”, destacou.

No mesmo bate-papo, a artista falou sobre sua luta contra a depressão, diagnosticada em 2005. Alinne revelou que, durante vários anos, teve dificuldade para conciliar a doença com a rotina de shows. “Eu fingia alegria, mas estava triste por dentro. Mesmo assim, segui compondo e me apresentando.”

O novo disco chega após sete anos sem lançamentos autorais. Nele, Alinne explora gêneros que vão do samba-pop ao rock e inclui uma faixa em homenagem ao ator baiano Wagner Moura. “Eu estava navegando pela internet, vi algo sobre Pedro Pascal e pensei: temos um artista incrível como o Wagner aqui no Brasil. Aí mergulhei na trajetória dele e compus a música”, contou.

Sobre a disputa por um hit de Carnaval, a cantora assume sua condição de artista independente e diz não se envolver nessa “briga burocrática”. “Eu faço meu trabalho, coloco minhas referências e confio no que meu público vai absorver.”

Imagem: Rafael Peixoto/g1

Alinne também rememorou os primeiros passos na música. Filha de pai evangélico, ela precisou driblar restrições religiosas para entrar em contato com o axé. Aos 16 anos, foi a Salvador pela primeira vez sem conhecer a cidade e acabou se perdendo, mas viveu uma “paixão à primeira vista” pelo Carnaval. Seu talento foi percebido por produtores após um teste na banda Cheiro de Amor, quando ela surpreendeu mesmo cantando apenas parte de uma música.

Com estas histórias, Alinne Rosa mostra que a trajetória artística envolve tanto momentos de brilho quanto de grande improviso, reforçando sua visão de que a liberdade criativa e o engajamento social são fundamentais em sua carreira.

Com informações de G1