A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou nesta segunda-feira (12) o uso do antirretroviral Sunlenca (lenacapavir) como profilaxia pré-exposição (PrEP) ao HIV-1 em adultos e adolescentes a partir de 12 anos, com peso mínimo de 35 kg, que apresentem risco de contrair o vírus por via sexual.

Requisitos para início do tratamento

Antes de iniciar a PrEP com lenacapavir, o paciente deve apresentar resultado negativo para HIV-1 em teste recente. A inclusão de um medicamento de administração semestral no arsenal preventivo oferece uma alternativa aos esquemas diários, potencialmente melhorando a adesão ao tratamento.

O que é HIV-1

O HIV-1 é a forma predominante do vírus da imunodeficiência humana no mundo e no Brasil. Ele ataca preferencialmente os linfócitos CD4, comprometendo o sistema imunológico e, na ausência de terapia, pode evoluir para AIDS. Diferente do HIV-2, que tem circulação restrita a algumas regiões da África Ocidental, o HIV-1 é mais transmissível e está presente em praticamente todos os continentes.

Modo de ação e apresentação do Sunlenca

O lenacapavir atua em múltiplas etapas do capsídeo do HIV-1, interrompendo a replicação viral e impedindo processos essenciais à transcrição reversa. O medicamento está disponível em duas formulações: uma injeção subcutânea administrada a cada seis meses e comprimidos orais usados nos primeiros dias de tratamento para estabilização do nível do fármaco no organismo.

PrEP como estratégia combinada

A profilaxia pré-exposição integra a prevenção combinada, que inclui testagem periódica para HIV, uso de preservativos, acesso a tratamento antirretroviral (TARV) para pessoas soropositivas, profilaxia pós-exposição (PEP) e cuidados para gestantes infectadas. A estratégia busca reduzir significativamente as chances de infecção em populações vulneráveis.

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Recomendação internacional e evidências clínicas

Em julho de 2025, a Organização Mundial da Saúde (OMS) passou a indicar o lenacapavir como opção adicional para PrEP, destacando-o como a melhor alternativa após uma vacina. Estudos clínicos submetidos à Anvisa mostraram 100% de eficácia na prevenção da infecção em mulheres cisgênero (estudo PURPOSE 1) e redução de 96% na incidência de HIV-1 em comparação ao risco inicial, com desempenho 89% superior ao da PrEP oral diária (estudo PURPOSE 2).

Próximos passos para oferta no SUS

O registro do Sunlenca depende agora da definição de preço máximo pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED). Após essa etapa, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (CONITEC) e o Ministério da Saúde avaliarão a inclusão do medicamento na rede pública.

Com informações de Olhardigital