Pesquisadores descreveram uma nova espécie de aranha das florestas tropicais do Equador que reproduz a aparência de um fungo parasita responsável por infectar e matar outros aracnídeos. Batizada de Taczanowskia waska, a espécie é a primeira conhecida a empregar essa forma de mimetismo.

O relato da descoberta foi publicado na revista Zootaxa, após análise de espécimes que confirmaram tratar-se de uma ocorrência não registrada anteriormente. Segundo os autores, a imitação pode reduzir ataques de predadores e facilitar a aproximação de presas, ao fazer com que o animal pareça um indivíduo já tomado pelo fungo.

Aparência e comportamento que enganam

O exemplar foi observado imóvel na face inferior de uma folha, situação que levou os pesquisadores a acreditar inicialmente tratar-se de uma aranha realmente infectada. Só ao tocar o animal perceberam que estava vivo. A semelhança visual é atribuída à coloração pálida do abdômen, pequenas projeções esbranquiçadas e duas estruturas alongadas amareladas, elementos que reproduzem o aspecto do micélio e do estroma característicos do fungo do gênero Gibellula.

Além das marcas no corpo, a postura adotada — ficar suspensa e imóvel sob a folha — contribui para completar o disfarce, simulando o comportamento de aranhas mortas em estágios finais de infecção fúngica, quando o hospedeiro permanece em posição favorável à liberação de esporos.

O fungo imitado, pertencente a Gibellula, é especializado em aranhas: seu micélio penetra o hospedeiro, consome os tecidos e, ao fim do processo, desenvolve estruturas que dispersam esporos. É esse estágio final que, segundo os pesquisadores, a Taczanowskia waska reproduz com notável fidelidade.

Aranha descoberta no Equador imita fungo parasita para se camuflar e capturar presas

Imagem: Divulgação

Origem da descoberta e material de comparação

A descoberta teve início a partir de um registro feito no aplicativo iNaturalist. A partir dali, a equipe localizou um exemplar na natureza e comparou características com materiais de coleções científicas. Entre os itens consultados, havia um espécime coletado na Bolívia em 1903 e depositado no Museu de História Natural de Hamburgo, o que ajudou a confirmar a distinção da nova espécie.

Pesquisadores envolvidos destacaram o papel das coleções históricas para identificar e comparar novas espécies. Registros adicionais no iNaturalist também apontam para pelo menos outras quatro aranhas que imitam infecções fúngicas, sendo que duas delas podem representar espécies ainda não descritas pela ciência.

Com informações de Olhardigital