Na noite de 1º de fevereiro de 2026, durante a entrega dos prêmios do Grammy Awards em Los Angeles, diversos artistas aproveitaram o evento para manifestar oposição às operações do ICE (Serviço de Inspeção de Imigração e Alfândega dos EUA). Muitos compareceram ao tapete vermelho usando broches com a inscrição “ICE OUT” – “fora ICE” –, sinalizando o descontentamento com as políticas migratórias.

Ao receber o Grammy de Canção do Ano por “Wildflower”, Billie Eilish citou um dos principais slogans dos protestos: “Ninguém está ilegal em terras roubadas, e é muito difícil saber o que dizer e o que fazer agora”. A cantora afirmou sentir “muita esperança nesta sala” e enfatizou a importância de seguir lutando, protestando e fazendo a voz de cada um ser ouvida. Encerrando seu discurso, ela declarou: “Foda-se o ICE”.

Margo Price também exibiu o broche “ICE OUT” em seu traje e reforçou a crítica às práticas de detenção e deportação de imigrantes promovidas pelo órgão. A cantora de música country chamou atenção para o impacto dessas medidas nas famílias que se veem separadas ou sob ameaça constante.

Kehlani, vencedora de dois prêmios na categoria R&B com o álbum Folded, pediu união ao universo musical. Ela ressaltou que somente um movimento coletivo é capaz de enfrentar injustiças e conclamou colegas a se engajarem em ações de solidariedade e apoio às comunidades afetadas pela política migratória.

Com o prêmio de Artista Revelação em mãos, Olivia Dean falou sobre suas raízes familiares: neta de imigrante, ela atribuiu à coragem da avó a própria trajetória artística. Emocionada, afirmou que quem vive a experiência migratória merece reconhecimento e respeito.

As manifestações ganharam força diante de decisões tomadas pela administração de Donald Trump, que endureceu as medidas de deportação e detenção de imigrantes sem documentação. O ambiente político dos EUA, marcado por debates acalorados sobre fronteiras, foi refletido no palco mais importante da música mundial.

Imagem: REUTERS/Daniel Cole

O momento mais comentado ocorreu com Bad Bunny, ao receber o prêmio de Melhor Álbum de Música Urbana. O artista portorriquenho pediu o fim das operações do ICE e sublinhou a humanidade dos imigrantes: “Não somos selvagens, não somos animais, não somos alienígenas, somos humanos e somos americanos. O ódio se torna mais poderoso com mais ódio. A única coisa mais poderosa que o ódio é o amor. Então, por favor, precisamos ser diferentes.”

As declarações reforçaram a crescente insatisfação de setores artísticos com as estratégias de fiscalização e deportação de imigrantes adotadas nos Estados Unidos nos últimos anos.

Com informações de G1