Uma pesquisa recente sugere que a extinção dos dinossauros, ocorrida há 66 milhões de anos, pode ter incluído uma fase inicial de calor extremo e incêndios generalizados que eliminaram grande parte da vida à superfície em poucas horas, além do conhecido resfriamento prolongado que se seguiu ao impacto.
O estudo parte do evento gerado pelo asteroide de cerca de 10 quilômetros que atingiu a Península de Yucatán e criou a cratera de Chicxulub. A colisão vaporizou enormes volumes de rocha; parte desse material condensou-se em gotículas microscópicas conhecidas como esferulitos, que se espalharam pelo planeta e reentraram na atmosfera a altas velocidades.
Uma estufa mortal em minutos
Modelos anteriores calculavam que o atrito dessas partículas ao atravessarem a atmosfera produziria um pulso de radiação térmica capaz de matar organismos desprotegidos, mas sem gerar fogo em larga escala. A nova análise aponta que esses esforços negligenciaram uma camada fina e espessa de poeira silicatada — formada pelo vapor de rocha que não condensou imediatamente — que teria permanecido na atmosfera.
Segundo os autores, essa poeira teria agido como um isolante térmico, prendendo a radiação e retornando calor para a superfície, o que elevaria a intensidade térmica em cerca de 3,5 vezes em relação às estimativas que consideravam apenas a queda dos esferulitos. Como consequência, animais expostos teriam recebido uma dose de calor aproximadamente 17 vezes maior do que o limite letal empregado para humanos nos modelos.
Os pesquisadores afirmam que, embora a radiação talvez não fosse suficiente para carbonizar troncos muito grossos, ela excedeu o ponto de ignição de gramíneas, líquens e folhas secas, fornecendo combustível para incêndios florestais massivos que poderiam ter ocorrido nas horas seguintes ao impacto. Em entrevista ao Space.com, o autor principal Brandon Johnson comentou que o pulso térmico inicial poderia ter eliminado praticamente toda a vida na superfície nas primeiras horas.
Sobrevivência e lacunas da teoria
O estudo também indica que animais que estavam no subsolo ou submersos teriam maior chance de sobreviver ao pulso inicial. Nos dias e anos seguintes, a mesma poeira que gerou o aquecimento imediato permaneceu suspensa e bloqueou a luz solar, desencadeando o prolongado “inverno de impacto” tradicionalmente relacionado à extinção em massa.
Imagem: Imagem gerada por IA/Shutterstock
Entretanto, os autores reconhecem que evidências diretas de queimadas causadas por essa poeira foram registradas até agora apenas na América do Norte. Pesquisadores independentes, como o paleontólogo Alfio Alessandro Chiarenza, afirmam que é possível que registros de incêndios em escala global ainda não tenham sido encontrados, mas isso permanece a ser confirmado.
O novo estudo também faz referência a achados de 2023 no sítio fóssil de Tanis, na Dakota do Norte, e a confirmações posteriores na Bacia de Raton, na divisa entre Colorado e Novo México, locais usados para correlacionar o marcador geológico que separa a era dos répteis da dos mamíferos.
Com informações de Olhardigital

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6