Os integrantes da missão Artemis 2, que retornam à Terra na sexta‑feira (10), embarcaram o mesmo laxante encontrado em farmácias terrestres para tratar episódios de constipação durante a estadia em gravidade zero. O medicamento Dulcolax, cujo princípio ativo é o bisacodil, foi incluído no kit médico oficial da agência espacial americana, segundo informações divulgadas.

A presença do produto na lista de itens médicos surpreendeu Sarah Jane Bunger, chefe global de pesquisa e desenvolvimento da Dulcolax, que afirmou não ter sido consultada antes da inclusão e descreveu a notícia como uma surpresa agradável. O remédio consta também da Lista de Medicamentos Essenciais da Organização Mundial da Saúde (OMS), documento acompanhado de perto pela equipe médica da NASA.

Por que a constipação ocorre no espaço

Bunger explicou que a constipação costuma afetar os astronautas nos primeiros dias no espaço, enquanto o corpo se ajusta à ausência de gravidade. Ela comparou o trato digestivo a um material elástico: embora a peristalse — os movimentos musculares que empurram o conteúdo intestinal — continue atuando, na Terra a gravidade ajuda nesse transporte. No espaço, sem esse auxílio, a peristalse precisa fazer todo o trabalho, o que pode tornar a digestão menos eficiente.

De acordo com a executiva, o laxante levado pela Artemis 2 é idêntico ao comercializado em farmácias e tem um revestimento projetado para resistir ao ácido do estômago, dissolvendo‑se apenas no intestino, o que o torna adequado tanto para uso terrestre quanto em ambiente espacial.

Durante a missão, a equipe também testou sistemas sanitários destinados à nave Orion; imagens divulgadas mostram a astronauta Christina Koch (à direita) trabalhando com uma versão de avaliação do banheiro espacial.

Astronautas da Artemis 2 levam laxantes para enfrentar constipação durante missão

Imagem: Divulgação

Impactos e possíveis estudos

Bunger afirmou esperar que a menção do medicamento no kit médico contribua para reduzir o estigma em torno da constipação, lembrando que se até astronautas enfrentam o problema, outras pessoas não deveriam se envergonhar. Ela também observou que ainda não existem estudos sobre o uso de laxantes em viagens lunar e que, se fosse o caso, contentar‑se‑ia apenas com um relatório de estoque indicando se doses foram usadas, sem necessidade de identificar quem as consumiu ou quando.

O relato não faz parte do conjunto oficial de experimentos da missão, mas abre possibilidade para observações práticas sobre o comportamento de medicamentos em viagens à Lua.

Com informações de Olhardigital