A missão Artemis II leva quatro astronautas a bordo da cápsula Orion em uma trajetória de retorno livre ao redor da Lua, e o momento mais crítico da viagem ocorre quando a nave cruza para o lado oculto do satélite, perdendo toda comunicação com a Terra.
O que acontece durante o apagão de rádio
Ao posicionar-se atrás do disco lunar, a Orion fica fora da linha de visada das antenas da Deep Space Network, interrompendo os sinais de rádio entre a espaçonave e o controle em Houston. Esse bloqueio físico, causado pela massa da Lua, impede a propagação das ondas eletromagnéticas de alta frequência, que viajam em linha reta e não atravessam o corpo lunar.
Quanto tempo dura a perda de contato
O período de silêncio estimado varia conforme a altitude da cápsula no momento da passagem, mas deve ficar entre aproximadamente 40 e 60 minutos. Durante esse intervalo, a tripulação estará a mais de 370 mil quilômetros da Terra e sem suporte de comunicação instantânea, dependendo apenas da autonomia dos sistemas de bordo e dos procedimentos treinados para a situação.
Por que isso é planejado
A arquitetura atual da missão privilegia a conexão direta nave-Terra, em vez de retransmissão via satélites. O apagão é, portanto, um evento previsto e serve como teste de resistência operacional — tanto dos computadores de voo, que assumem o controle automático nas zonas de sombra, quanto dos próprios astronautas para lidar com decisões sem orientação imediata da equipe em solo. Esse ensaio é visto como preparação para missões mais distantes, como as a Marte, onde atrasos e períodos sem contato serão rotina.
Riscos e preparação
Operar fora da órbita baixa terrestre expõe a tripulação a níveis maiores de radiação cósmica e solar, já que o campo magnético do planeta não oferece proteção. A cápsula Orion incorpora blindagem para mitigar esses efeitos, mas o monitoramento contínuo da saúde dos quatro tripulantes é essencial ao longo dos cerca de dez dias previstos para a missão.
Imagem: A missão Artemis II enfrentará silêncio total ao cruzar o lado oculto. – NASA
Além da radiação, o sistema de suporte à vida precisa manter parâmetros como oxigênio, pressão e temperatura estáveis, sem possibilidade de resgate imediato devido às limitações da mecânica orbital. Por isso, o treinamento para a Artemis II inclui simulações detalhadas do apagão de rádio, com anos de preparação em simuladores que replicam cada etapa do silêncio. O preparo engloba procedimentos técnicos e também exercícios de resistência psicológica e gestão de estresse em ambiente confinado, para garantir que a equipe consiga resolver falhas sem auxílio direto da Terra.
O momento da reaquisição do sinal, quando a Orion reaparece no horizonte e retoma a telemetria, é acompanhado com atenção pelas equipes de solo como indicação de que as manobras orbitais foram concluídas com sucesso e que a nave iniciou a fase de retorno.
Com informações de Olhardigital

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6