Pesquisas recentes indicam que algumas espécies de aves, como papagaios e corvos, são capazes de avaliar probabilidades para maximizar a obtenção de recompensas, segundo estudos científicos. O comportamento observado coloca essas aves em um nível de raciocínio lógico comparável ao de primatas em alguns testes.

Quem e o que

Cientistas investigaram a capacidade cognitiva de aves — principalmente o papagaio Kea e o corvo de bico fino — e constataram que os animais não agem ao acaso, mas escolhem opções com maior chance de oferecer alimento. O trabalho citado está disponível no portal PMC da National Institutes of Health.

Como funciona o cálculo de probabilidade

Nos experimentos, as aves parecem levar em conta a frequência de eventos anteriores para estimar onde a recompensa tem maior probabilidade de aparecer. Em vez de seguir apenas a maior quantidade visual de itens, elas avaliam a proporção entre objetos premiados e neutros e escolhem a alternativa com vantagem estatística.

Espécies testadas e desempenho

Além do Papagaio Kea e do Corvo de Bico Fino, estudos mencionam o Papagaio Cinzento e a Gralha-azul como exemplos de aves que exibem habilidades cognitivas relevantes. O Kea mostrou grande curiosidade e aptidão para resolver problemas; o corvo se destacou na fabricação de ferramentas e planejamento; o Papagaio Cinzento demonstrou associação entre símbolos, cores e números; e a Gralha-azul exibiu memória espacial e previsão de riscos ambientais.

Métodos experimentais

Para assegurar que os resultados não sejam fruto do acaso ou de condicionamento simples, os pesquisadores aplicaram protocolos controlados. Um teste típico envolve recipientes com fichas de cores diferentes, sendo que cada cor representa uma probabilidade distinta de troca por comida. Quando as condições mudam sem aviso, os Keas conseguiram atualizar suas decisões de forma rápida, indicando flexibilidade cognitiva.

Imagem: Divulgação

Implicações para sobrevivência e comparação com humanos

Na natureza, avaliar probabilidades ajuda aves a economizar energia e localizar alimentos com menos gasto calórico, já que voar é dispendioso. A habilidade também auxilia em decisões relacionadas à fuga de predadores e escolha de parceiros. Apesar das aves não possuírem um neocórtex como os mamíferos, o desempenho funcional em tarefas de lógica se aproxima do observado em crianças pequenas, segundo os autores citados.

Essas pesquisas reforçam a ideia de que o pensamento complexo pode emergir de estruturas cerebrais distintas e servir como solução adaptativa para desafios ambientais.

Com informações de Olhardigital