Os primeiros integrantes da geração baby boomer completam 80 anos neste ano e buscam transformar a experiência de envelhecer, segundo reportagem do Investnews. Entre eles está o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A coorte que influenciou grande parte do século XX agora tenta redefinir cuidados de saúde, moradia, políticas sobre fim de vida e produtos destinados à velhice.

Especialistas afirmam que esses octogenários querem assistência médica mais eficiente, moradia adequada, avanços para prevenir demência e maior autonomia sobre decisões como o momento de morrer. O diretor do AgeLab do Massachusetts Institute of Technology, Joseph Coughlin, resume: “Eles estão reinventando a velhice”. Diferentemente da chamada “Geração Silenciosa”, os boomers carregam expectativas altas e capital político e econômico capazes de forçar mudanças.

Quem são e o que exigem

Gaston Pereira, que também completa 80 anos neste ano e dirige uma fintech que fundou com o filho, representa o perfil ativo de parte dessa geração. Boomers mais velhos tendem a ser, em média, mais instruídos e com maior patrimônio do que gerações anteriores, embora haja desigualdades. Eles votam com mais frequência, fator que reforça influência sobre programas públicos, como o Medicare, e sobre o mercado consumidor.

O demógrafo William Frey, do Brookings Institution, aponta que há quase 15 milhões de americanos com 80 anos ou mais hoje, número que deve dobrar nas próximas duas décadas. Pesquisa do Pew Research Center indica que, em média, pessoas nessa faixa etária esperam viver até os 93 anos.

Impacto no consumo e nas demandas por saúde

Especialistas observam mudanças no padrão de gastos após os 80 anos: o consumo pessoal costuma diminuir, com redução de despesas como viagens e aumento de gastos em saúde. Michael Hurd, economista da Rand Corp., destaca que, para casais com 80 anos ou mais, gastos com saúde representam cerca de 15,4% do orçamento médio, contra 11% entre aqueles de 65 a 69 anos. Viagens e lazer respondem por menos de 5% do gasto entre casais mais ricos acima dos 80 — aproximadamente metade do observado entre casais na casa dos 60 anos — o que exige adaptações do setor de turismo, como roteiros mais lentos e culturais.

Com maior gasto e expectativas por melhores resultados, boomers e seus filhos demandam diagnósticos e tratamentos domiciliares, telemedicina, dispositivos vestíveis, apoio a cuidadores e avanços contra o declínio cognitivo. Atualmente, apenas 10% das faculdades de medicina exigem formação em geriatria, número que tende a subir. A automatização do cuidado, inclusive com robôs humanoides, também é citada como possível tendência.

Ken Dychtwald, CEO da Age Wave, afirma que o lema dessa geração será “tempo de vida saudável, e não apenas longevidade”. Ele observa que os EUA gastam mais por pessoa em saúde, mas aparecem na 72ª posição em tempo de vida saudável. Dychtwald prevê ainda um debate mais aberto sobre eutanásia ativa ou passiva, alinhado à busca por controle sobre decisões médicas no final da vida.

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Moradia e arranjos de convivência

Ao chegar aos 80, muitos repensam onde morar. Segundo Meredith Oppenheim, fundadora da Vitality Society, boomers que consideram residenciais valorizam bem-estar, atividades físicas, alimentação saudável e espaços criativos. As comunidades planejadas, porém, têm custos elevados: taxas de entrada variam em média de US$ 100 mil a US$ 400 mil, podendo chegar a US$ 7 milhões, e mensalidades giram em torno de US$ 5 mil, valores além da capacidade de muitos octogenários. Por isso, empreendimentos podem buscar opções mais acessíveis, como planos com menos refeições inclusas e serviços médicos sob demanda.

Outras alternativas incluem a adaptação do domicílio — instalação de elevadores e portas mais largas —, que deve estimular reformas, além de modelos de lares multigeracionais ou moradias compartilhadas. Para alguns, a longevidade traz também questionamentos sobre continuidade da atividade profissional: Gaston Pereira diz que sua geração mostrou como é viver aos 80, mas questiona se as próximas gerações também desejarão trabalhar nessa idade.





Casos pessoais ilustram as posições sobre fim de vida. Richard Eggerman, 80, e sua esposa Linda, 78, relatam boa saúde atual, com exercícios e check-ups, mas já passaram por intervenções como próteses e marcapasso. Eggerman afirma que, diante de diagnósticos graves, preferiria opções que priorizem cuidados paliativos após certa idade, e não intervenções caras: “O dinheiro deveria ser gasto com recém-nascidos e pessoas no auge da vida.”

As demandas e preferências dessa coorte devem gerar novas profissões, produtos e modelos de serviços à medida que influencia política, mercado e inovação na saúde e habitação.

Com informações de Investnews