No domingo (8), Bad Bunny foi o responsável pelo aguardado espetáculo de intervalo do Super Bowl 60, transmitido para milhões de espectadores nos Estados Unidos e no mundo. A apresentação, quase toda em espanhol, destacou símbolos da cultura porto-riquenha e latino-americana, e acabou gerando críticas do ex-presidente Donald Trump, que chamou o show de “afronta à grandeza da América”.

Referências culturais e idioma

Logo no início, o cantor fez questão de exibir em espanhol a identificação do evento: “el espectáculo de medio tiempo del Súper Tazón”. O palco foi montado com imagens de trabalhadores rurais, senhores jogando dominó e cenas de salão de beleza, recriando o cotidiano de Porto Rico. Durante o discurso de apresentação, Bad Bunny declarou em espanhol: “Meu nome é Benito Antonio Martínez Ocasio, e se estou aqui no Super Bowl 60, é porque nunca deixei de acreditar em mim. Você também deveria acreditar em você. Você vale mais do que imagina.”

Casita e participantes latinos

Um dos cenários centrais foi a “casita”, réplica de uma casa típica porto-riquenha que serve de palco para convidados dançarem e interagirem. Na estrutura, surgiram personalidades como Cardi B, Karol G, Pedro Pascal e Jessica Alba, todos com raízes latinas. Ao som do “perreo”, estilo de dança sensual originado em Porto Rico nos anos 80, as dançarinas reforçaram a herança cultural do artista.

Casamento real durante o intervalo

Cerca de cinco minutos após o início, o estádio testemunhou uma cerimônia de casamento de verdade. O casal havia convidado Bad Bunny para seu enlace, mas o artista propôs incluí-los no show. Ele atuou como testemunha, assinou a certidão e participou da celebração, que contou com bolo e decoração típicos.

Participações de Lady Gaga e Ricky Martin

Logo depois, Lady Gaga entrou em cena acompanhada pela banda porto-riquenha Los Sobrinos, tocando “Die With a Smile” como trilha da cerimônia. Em seguida, Gaga dançou com Bad Bunny em “Baile Inolvidable”. Pouco depois, o cantor interpretou “Nuevayol”, ambientado em uma bodega nova-iorquina, com aparição de Toñita, do Caribbean Social Club, e entrega simbólica de um Grammy a um menino vestido como o próprio Benito na infância.

Mais adiante, Ricky Martin se juntou ao palco sentado em cadeiras que faziam referência à capa de “Debí Tirar Más Fotos” e apresentou “Lo que le pasó a Hawaii”. A canção critica o impacto do imperialismo americano no arquipélago, traçando paralelo com a situação de Porto Rico.

Imagem: Mike Blake/Reuters

Símbolos de protesto e encerramento unificador

Nos minutos finais, Bad Bunny surgiu com uma grande bandeira de Porto Rico, em tom de azul claro, associado ao movimento pró-independência, e interpretou “El Apagón”. Ao subir em um poste, simulou um “apagão” no estádio, aludindo à destruição causada pelo furacão Maria em 2017.

Para fechar, o artista lançou ao público uma bola com a frase “Juntos, somos a América” e, acompanhado de bailarinos com bandeiras de todos os países do continente, listou cada nação — do Chile ao Brasil, incluindo Estados Unidos e sua “terra mãe, Porto Rico”. Em seguida, enfatizou em inglês: “God bless America”, e finalizou ao som de “DTMF”, faixa que reforça temas de amor, saudade e identidade.

Com informações de G1