O cantor porto-riquenho Bad Bunny será o atração principal do show do intervalo do Super Bowl LX, que acontece em 8 de fevereiro, no Levi’s Stadium, em Santa Clara (Califórnia). A escolha do artista gerou uma série de especulações sobre possíveis declarações políticas e culturais que possam permear sua apresentação.

Desde o anúncio, veículos de mídia, especialistas e acadêmicos de diversas áreas têm trocado opiniões sobre o significado do espetáculo. Enquanto uns questionam se sua performance será um ato de resistência ou de afirmação latina, outros defendem que o artista pretende apenas levar entretenimento e ritmo ao público.

Em entrevista recente ao programa Access Hollywood, Bad Bunny declarou que seu objetivo principal é transmitir alegria: “Quero que as pessoas sintam felicidade, dancem e acreditem que tudo é possível.” O músico, que canta exclusivamente em espanhol, enfrenta resistência de parte da audiência norte-americana, que ainda associa o idioma a grupos de imigrantes.

O debate se intensificou depois que Bad Bunny revelou, em entrevista à revista i-D no ano passado, que evitou realizar turnês nos EUA por receio de que agentes do ICE (Departamento de Imigração e Fiscalização) pudessem abordar fãs do lado de fora de seus shows. “Foram muitos os motivos para não ir aos EUA, nenhum deles por ódio. Mas tinha a questão de que o ICE poderia estar lá fora”, afirmou o artista.

Pesquisas recentes reforçam parte dessa preocupação: um levantamento do NPR/PBS News/Marist Poll mostrou que 65% dos norte-americanos consideram que o ICE “extrapolou limites” em suas ações, percentual que aumentou 11 pontos desde o primeiro comentário de Bad Bunny sobre o tema.

Na cerimônia do Grammy, quando recebeu o prêmio de Álbum do Ano – feito inédito para um disco totalmente em espanhol –, o músico dedicou sua vitória a Porto Rico e concluiu o discurso com um contundente “ICE out”. Para ele, a frase reflete postura de solidariedade, não necessariamente um posicionamento político radical.

Bad Bunny tocará no show do intervalo do Super Bowl e alimenta debates sobre política e cultura

Imagem: Bad Bunny Christopher Gregory-Rivera/Rolling Stone

O álbum que projetou Bad Bunny ao Super Bowl, Debí Tirar Más Fotos, nasceu como um projeto pensado para o público porto-riquenho. “Eu quis fazer um disco de Porto Rico, para porto-riquenhos”, disse o cantor em entrevista de agosto. A repercussão internacional, segundo ele, foi consequência das batidas contagiantes e das referências às tradições musicais de sua terra.

Ao subir ao palco em Santa Clara, Bad Bunny levará ao público uma mistura de ritmos urbanos com elementos típicos de sua cultura. Independentemente das interpretações políticas, o artista promete 30 minutos de música e dança que buscam celebrar a diversidade e a força da língua espanhola.

Com informações de Billboard