TRANSMISSÃO: Band
O show de Bad Bunny em São Paulo foi apresentado como uma narrativa construída para afirmar identidade, memória e pertencimento latino-americano, segundo a montagem do espetáculo. Benito utilizou o espanhol como língua central, reafirmou referências a Porto Rico na estética e no discurso e manteve um posicionamento político ao longo da apresentação.
Estrutura em três atos
O concerto foi organizado de forma dramática, em três momentos distintos. No primeiro ato, o artista surgiu com alta potência sonora e energia, acompanhado pela banda Los Pleneros de La Cresta, ressaltando sua posição como expressão cultural global. Esse trecho serviu para afirmar quem ele é e consolidar sua presença no palco.
No segundo ato, a cenografia mudou para uma “casita” que reproduzia o interior de uma casa porto-riquenha. O efeito não foi apenas visual: o ambiente trouxe um tom intimista, com ritmos de reggaeton ajustados para essa sequência e a participação de uma cantora porto-riquenha, elementos que reforçaram referências às raízes e à tradição comunitária. A transição incluiu imagens no telão do Sapo Concho exaltando elementos brasileiros, e a banda fez menções a músicas do Brasil; Benito também usou roupas com referências brasileiras.
Durante a apresentação na casita, Bad Bunny declarou: “Solo por esta noche nosotros somos brasileños, ustedes son puertorriqueños”, marcando simbolicamente a ponte entre as culturas e estendendo a narrativa para além de Porto Rico, em direção a uma identidade latino-americana compartilhada.
Silêncio e singularidade
Em contraste com momentos de alta energia e coreografias grandiosas, houve passagens de silêncio deliberado. Em um estádio lotado, o artista interrompeu a música, ficou imóvel e aparentou comoção, transformando a performance em um instante de presença coletiva.
Imagem: Divulgação
Outro ponto destacado foi a execução de uma música exclusiva para aquela noite — uma faixa que, segundo a produção, não seria repetida em outras etapas da turnê. Ao incluir um número único, o espetáculo passou a ser tratado como um acontecimento irreproduzível, conferindo à plateia a experiência de um momento efêmero e singular.
Fecho e memória coletiva
No terceiro ato, o palco voltou com um balé romântico e canções mais emotivas, sinalizando vulnerabilidade após a afirmação identitária e o retorno às raízes. Ao final, Benito pediu que o público guardasse os celulares para vivenciar o momento presente, falou sobre não guardar rancor, aconselhou a amar quem nos ama e disse que pretende aprender português. O encerramento privilegiou a experiência compartilhada em vez da mera exibição.
Mais do que uma sequência de hits e efeitos, a apresentação em São Paulo foi apresentada como uma construção visual, política e emocional centrada em identidade e pertencimento.
Com informações de Rapnarua

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6