Bairros com cobertura arbórea apresentam temperaturas significativamente menores do que áreas dominadas por concreto e asfalto, segundo estudos e levantamentos sobre resiliência climática. A vegetação urbana reduz a temperatura ambiente por mecanismos físicos e biológicos, o que tem implicações diretas para conforto térmico e custos energéticos nas cidades.

O que explica a diferença térmica

Relatório sobre resiliência climática publicado no portal da ONU Programa para o Meio Ambiente indica que a vegetação urbana pode reduzir a temperatura ambiente em até 8 graus Celsius. O resfriamento ocorre principalmente por evapotranspiração — o processo em que as folhas liberam vapor d’água, consumindo energia térmica — e pelo sombreamento proporcionado por copas densas, que bloqueiam radiação solar direta.

Como as árvores atuam nas áreas urbanas

Além da evapotranspiração, as árvores criam sombras que impedem que calçadas e fachadas absorvam calor durante o dia, reduzindo a inércia térmica das cidades e evitando que o calor seja liberado à noite. O posicionamento de árvores também pode canalizar brisas, formando corredores de vento que ajudam a refrescar trechos urbanos antes obstruídos por edificações.

Dados comparativos entre zonas com e sem árvores

Levantamentos mostram disparidade térmica entre áreas arborizadas e zonas construídas: a temperatura superficial em áreas com árvores varia entre 28°C e 32°C, enquanto em áreas de concreto alcança de 45°C a 60°C. A umidade relativa nas zonas verdes tende a ser alta (acima de 60%), ao passo que nas áreas de concreto é mais baixa (em torno de 30% ou menos). Ruído também é atenuado onde há maior cobertura vegetal.

Espécies recomendadas e cuidados

Para o clima tropical brasileiro, espécies nativas com copas largas e crescimento rápido, como Ipê e Sibipiruna, são apontadas como adequadas para suportar estresse hídrico e poluição urbana. Árvores frutíferas, como a Pitangueira, contribuem para a biodiversidade local ao mesmo tempo que oferecem sombreamento. Autoridades ambientais evitam plantas invasoras que possam comprometer calçadas ou redes e priorizam espécies com raízes profundas e verticais para garantir a segurança de construções próximas.

Imagem: Divulgação

Impactos econômicos e papel do cidadão

A presença de mata urbana reduz a necessidade de uso de aparelhos de refrigeração, já que a sombra direta e o resfriamento natural mantêm temperaturas internas mais estáveis, representando economia na conta de energia. Cidadãos podem solicitar o plantio de mudas nas calçadas por meio de programas municipais que oferecem orientação técnica gratuita e colaborar com a manutenção, por exemplo, realizando regas em períodos de seca para assegurar o desenvolvimento das mudas até se tornarem árvores adultas.

O plantio e a proteção de espécies nativas nas cidades são, portanto, medidas práticas para mitigar o aquecimento urbano e melhorar a qualidade de vida nas áreas mais densamente ocupadas.

Com informações de Olhardigital