A Bentley informou que reduzirá cerca de 6% dos empregos de escritório — o equivalente a 275 vagas — ao divulgar seus resultados de 2025, e afirmou que lançará seu primeiro veículo elétrico na forma de um SUV, mas que novos modelos elétricos só devem chegar após 2030.

A empresa britânica de carros de luxo anunciou as demissões na terça-feira (17). A montadora disse que o número de cortes pode ser amenizado se posições já abertas deixarem de ser preenchidas ou se saídas voluntárias não forem repostas.

O CEO Frank-Steffen Walliser afirmou durante teleconferência que a decisão visa manter a competitividade da marca em um setor que está “sob pressão em todos os aspectos”. Executivos também destacaram o impacto de tarifas dos Estados Unidos, que, segundo a Bentley, custaram cerca de € 42 milhões (US$ 48 milhões) no ano passado.

Resultados financeiros de 2025

A receita da Bentley em 2025 foi de € 2,6 bilhões (US$ 3 bilhões), uma queda de 1% em relação ao ano anterior. Apesar do recuo nas vendas em mercados-chave, a fabricante registrou lucro operacional de € 216 milhões (US$ 249 milhões), mantendo-se lucrativa pelo sétimo ano seguido.

A companhia afirmou que segue comprometida em lançar seu primeiro veículo elétrico, um SUV. Entretanto, qualquer linha adicional de modelos elétricos não deve ser introduzida antes de 2030, conforme comunicado.

Analistas apontam que tarifas tendem a afetar menos o segmento de luxo, pois clientes de alta renda têm menor sensibilidade a preço. Ainda assim, a Bentley disse que a elevação das tarifas americanas para mais de 27% em abril de 2025 “afetou significativamente” seus resultados. Atualmente, há um acordo que reduziu temporariamente a alíquota para 10%, mas a cobrança voltará a 27% depois da importação dos primeiros 100 mil veículos.

O grupo observou também uma queda nas vendas na China e menor demanda entre compradores ultrarricos, fatores que levaram à revisão de suas ambições elétricas. A Bentley, que faz parte do Grupo Volkswagen e integra um consórcio liderado pela Audi com marcas como Lamborghini e Ducati, havia projetado anteriormente tornar-se totalmente elétrica até o fim da década, mas admitiu em novembro a possibilidade de manter produção de modelos a combustão além de 2035.

Imagem: Divulgação

O conflito contínuo no Oriente Médio, região importante para o mercado de supercarros, e as interrupções logísticas associadas também representam risco para a receita no próximo ano. A empresa disse que, por ora, não está enviando veículos àquela área, mas que não reduziu sua produção.

Outras montadoras de luxo também relataram impacto: a Aston Martin classificou as tarifas como “extremamente disruptivas” e cortou 20% de sua força de trabalho em fevereiro, e a Mercedes também alertou para queda nos resultados.

Com informações de Forbes