A Blue Origin, empresa criada por Jeff Bezos, anunciou em 30 de janeiro de 2026 a suspensão dos voos suborbitais do New Shepard por pelo menos dois anos. A medida visa direcionar pessoal, infraestrutura e investimentos para contratos firmados com a NASA no âmbito do programa Artemis, cujo objetivo é levar astronautas de volta à Lua.

O comunicado foi divulgado logo após a última missão do New Shepard, realizada na semana anterior, que levou seis passageiros acima de 100 km de altitude. Desde que foi inaugurado em 2021, o veículo suborbital realizou viagens regulares de turismo espacial a partir do oeste do Texas e transportou celebridades como William Shatner e Katy Perry.

New Shepard: histórico de voos suborbitais

O New Shepard é um foguete reutilizável de pequeno porte que impulsiona uma cápsula até ultrapassar a linha de Kármán, situada a cerca de 100 km acima da superfície terrestre. Após atingir a altitude máxima, a cápsula retorna por paraquedas, enquanto o propulsor realiza pouso vertical em plataforma flutuante.

Até o momento, o sistema completou 38 lançamentos e levou 98 passageiros ao espaço, incluindo pioneiros da exploração, como Wally Funk e Edward Dwight. Além do público pagante, foram transportadas mais de 200 cargas científicas de universidades, organizações e da própria NASA.

Contratos com a NASA e o programa Artemis

Em operação desde 2000, a Blue Origin detém um acordo de US$ 3,4 bilhões com a NASA para desenvolver módulos de pouso humano para o programa Artemis. A previsão original era utilizar o primeiro veículo da empresa na missão Artemis V, prevista para a década de 2030.

No entanto, atrasos nos sistemas da SpaceX para as missões Artemis III e Artemis IV levaram a agência espacial a solicitar às duas contratadas que explorem alternativas para acelerar o cronograma.

Imagem: Ap

Em entrevista recente, o administrador da NASA, Jared Isaacman, afirmou que os projetos de aceleração seguem em paralelo. O presidente dos EUA, Donald Trump, estabeleceu como meta o lançamento da Artemis III até o final de 2028.

A receita obtida com o turismo suborbital é considerada modesta diante do valor do contrato lunar. A empresa mantém uma lista de espera de clientes para futuros voos, mas afirma que todos os recursos estarão concentrados no desenvolvimento dos módulos de pouso.

Além disso, tecnologias testadas no New Shepard serviram de base para o maior foguete da companhia, o New Glenn, cujo propulsor principal foi recuperado com sucesso em uma balsa após o lançamento de uma missão científica em direção a Marte.

Com informações de Olhardigital