BMG eleva disputa sobre IA musical e acusa Anthropic de uso indevido de letras

A gravadora BMG entrou com uma ação judicial contra a empresa de inteligência artificial Anthropic, levando a disputa sobre o uso de material musical em treinamentos de IA a um novo patamar. No centro do processo estão 493 obras que, segundo a BMG, teriam sido usadas de forma indevida no desenvolvimento do sistema de linguagem Claude.

De acordo com a acusação, a Anthropic teria incorporado letras protegidas por direitos autorais ao conjunto de dados usado para treinar o Claude, prática que a BMG caracteriza como pirataria e cópias de obras originais. A gravadora sustenta que esse uso inclui material protegido, sem autorização dos detentores dos direitos.

A iniciativa da BMG amplia a tensão entre detentores de direitos autorais do setor musical e empresas de tecnologia que desenvolvem modelos de IA a partir de grandes volumes de textos e conteúdos. A disputa envolvendo as 493 obras é apresentada pela gravadora como um exemplo de como obras musicais podem ser reproduzidas ou aproveitadas na criação de sistemas automatizados sem o consentimento dos titulares dos direitos.

O processo destaca, segundo a BMG, questões centrais sobre a origem e o tratamento dos dados usados para treinar modelos de inteligência artificial voltados à geração de texto, música ou outros conteúdos. A gravadora aponta, especificamente, o uso de letras protegidas e a reprodução não autorizada de material criativo durante o treinamento do Claude.

O caso representa uma nova frente na chamada “guerra da IA musical”, em que empresas de música buscam responsabilizar desenvolvedores de IA por suposto uso não autorizado de repertório protegido. A BMG posiciona as 493 obras como núcleo de sua ação, indicando a relevância do litígio tanto para a gravadora quanto para o setor de tecnologia.

Imagem: Sora Shimazaki

As consequências jurídicas do processo poderão influenciar práticas futuras de coleta e utilização de conteúdos protegidos em treinamentos de modelos de inteligência artificial, conforme a própria BMG apresenta sua reclamação em relação ao Claude.

Com informações de Mundodamusicamm