A Bolsa de Arte retoma as atividades em Porto Alegre com uma nova fase marcada por parceria com a Almeida & Dale. A galeria reabre sua sede na cidade neste sábado, 13 de junho, reforçando seu compromisso com a arte moderna e contemporânea no Sul do Brasil e ampliando a presença nos circuitos nacional e internacional.

Fundada em 1980 e dirigida por Marga Pasquali desde 1986, a Bolsa de Arte teve papel relevante na formação do mercado de arte contemporânea gaúcho. Agora, a galeria se une ao grupo liderado por Antônio Almeida e Carlos Dale, que já atua em cidades como Recife, Goiânia, Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo e tem planos de expansão além das fronteiras nacionais.

A dupla à frente da Almeida & Dale destacou razões para a escolha de Porto Alegre: Almeida afirmou frequentar a região há cerca de 15 anos e apontou a existência de artistas jovens promissores e um possível público comprador; Dale observou que “o Sul era a última região a ser alcançada.” Além da programação de exposições, a nova gestão promete dedicar espaço à formação de público por meio de debates, rodas de conversa e palestras.

Entre 2014 e 2024, a Bolsa manteve uma filial em São Paulo, criando conexão entre as cenas das duas capitais. Com a sociedade firmada com a Almeida & Dale, a galeria encerra o espaço paulistano para concentrar suas atividades na capital gaúcha, com a ambição de transformar Porto Alegre em um centro de intercâmbio entre o circuito artístico do Mercosul, outras regiões do país e o cenário internacional.

Espaço e exposição de reabertura

A sede, localizada na Rua Visconde do Rio Branco, 365, passou por ampla reforma. A intervenção recuperou aspectos do imóvel histórico e preparou a sala principal — cujo pé-direito elevado oferece escala para obras de grande porte — para a mostra de reabertura.

A exposição inaugural, Stromboli: o corpo como vulcão, com curadoria de Bernardo José de Souza, reúne mais de 50 artistas e aborda tensões, violências e transformações que atravessam o corpo. A montagem aproxima nomes fundamentais da modernidade, como Cândido Portinari, Iberê Camargo, Tarsila do Amaral e Di Cavalcanti, a artistas contemporâneos brasileiros e internacionais, entre eles Adriana Varejão, Cildo Meireles, Lygia Pape, Louise Bourgeois, Robert Mapplethorpe, Sarah Lucas, Amoako Boafo e Toyin Ojih Odutola.

Imagem: Divulgação

O título referencia a ilha vulcânica italiana de Stromboli como metáfora do corpo em constante transformação; no discurso curatorial, a ilha simboliza forças destrutivas e regeneradoras que atravessam o individual e o coletivo. Na reabertura, a tela Manacá (1927), de Tarsila do Amaral, atua como âncora do diálogo entre moderno e contemporâneo presente na mostra.

Novos artistas representados e programação

Com a renovação, a Bolsa atualizou seu elenco de artistas representados, incluindo nomes como Bruno Novelli, André Severo, Camila Elis, Eduardo Haesbaert, Ío, Letícia Lopes, Maria Lídia Magliani, Marina Borges, Mauro Fuke, Saint Clair Cemin e Túlio Pinto.

Stromboli ficará em exibição de 13 de junho a 16 de agosto na sede da Bolsa de Arte, Rua Visconde do Rio Branco, 365, Porto Alegre.

Com informações de Forbes