O Brasil marcou presença em 4 de fevereiro em Washington, durante reunião na qual o vice-presidente norte-americano, J.D. Vance, apresentou proposta de criação de um bloco comercial voltado ao comércio de minerais críticos, como terras raras, lítio e cobre. O Itamaraty confirmou a participação no encontro, segundo reportagem da Reuters, e ressaltou que o governo ainda analisa com cautela o ingresso nesse grupo e que a decisão não será tomada de forma imediata.

O encontro integra a estratégia do governo dos Estados Unidos de reduzir a dependência de insumos controlados pela China, que em 2025 restringiu exportações de terras raras. Na segunda-feira anterior (2), foi lançado o projeto Vault, com aporte de US$ 10 bilhões (R$ 52,6 bilhões) do Export-Import Bank (EXIM) americano e US$ 2 bilhões (R$ 10,5 bilhões) de iniciativas privadas para financiar atividades de mineração, refino e reciclagem de minerais críticos.

Posição do governo brasileiro

  • Cautela e processo bilateral: Brasília afirma que o debate será conduzido diretamente com os EUA e que não há prazo definido para manifestação final;
  • Agregação de valor: o país defende a necessidade de processar e industrializar internamente os minerais, evitando a simples exportação de matéria-prima bruta e promovendo geração de tecnologia, empregos e desenvolvimento;
  • Sustentabilidade: qualquer parceria precisa atender critérios ambientais e sociais rigorosos.

Especialistas e investidores estrangeiros demonstram interesse no Brasil em razão de suas vastas reservas: o país detém a segunda maior reserva mundial de terras raras, atrás apenas da China, além de relevantes depósitos de nióbio, lítio e cobre.

Negociações privadas avançadas

Mesmo sem acordo oficial entre os governos, mineradoras brasileiras já mantêm tratativas com entidades americanas. Entre os projetos em estágio avançado estão:

Imagem: Divulgação

  • Caldeira (MG): voltado a terras raras, recebeu carta de interesse de até US$ 250 milhões (R$ 1,3 bilhão) do EXIM Bank;
  • Bandeira (MG): centrado em lítio, tem proposta de financiamento de US$ 266 milhões;
  • Empresas como Serra Verde e Aclara, em Goiás, também fecharam acordos de apoio financeiro com agências dos EUA.

O esforço dos EUA envolve cerca de 55 países, e já resultou em acordos com México, União Europeia e Japão para coordenar políticas de preço e compartilhamento de estoques estratégicos. A definição sobre a adesão brasileira ao bloco deverá constar na agenda de uma futura visita oficial do presidente Lula a Washington, quando os dois governos devem aprofundar as negociações.

Com informações de Olhardigital