As empresas brasileiras responderam por quase 60% dos dividendos distribuídos na América Latina no primeiro trimestre de 2026, segundo o primeiro levantamento Global Dividend and Buyback Index, da gestora Janus Henderson. Entre janeiro e março, companhias do Brasil repassaram aos acionistas aproximadamente US$ 6,3 bilhões, sobre um total regional de US$ 10,5 bilhões no período.

O relatório aponta que, no conjunto da América Latina, os pagamentos de dividendos cresceram 15% em relação ao mesmo trimestre de 2025. No Brasil, o avanço subjacente foi de 9,6%, desempenho que supera a média global apontada pelo índice. A gestora atribui o resultado à robusta geração de caixa das grandes empresas brasileiras, em especial nos setores financeiro, de energia e de mineração.

Entre as empresas que mais se destacaram no trimestre está a mineradora Vale, que elevou o dividendo por ação de R$ 2,66 para R$ 3,58 na comparação anual. Parte desse aumento ocorreu em função do pagamento de dividendos extraordinários. O segmento de mineração também influenciou a expansão dos dividendos em outros mercados latino-americanos, como o México, onde o crescimento foi liderado pelo Grupo México.

Após o Brasil, os maiores volumes distribuídos no trimestre foram registrados no Chile, com cerca de US$ 2 bilhões em dividendos, e no México, com aproximadamente US$ 1,4 bilhão. Apesar do avanço regional, a Janus Henderson ressalta que a distribuição de dividendos na América Latina permanece concentrada em poucos mercados e muito dependente do desempenho de setores vinculados a commodities.

Imagem: Agencia-brasil

Em escala global, os pagamentos de dividendos totalizaram US$ 424,5 bilhões entre janeiro e março, uma alta de 10,1% em relação ao mesmo período de 2025. A gestora projeta que, ao longo de 2026, os dividendos crescerão 8,3%, enquanto as recompras de ações devem recuar 1,1%, reflexo de um ambiente marcado por juros elevados, incertezas comerciais e riscos geopolíticos.

Com informações de Portalin