Robert Gerstmann, cofundador e Chief Evangelist da Sinch, afirmou que o Brasil é uma prioridade estratégica para a empresa sueca e que o país serve como um “laboratório do futuro” para tendências de mensageria. Fundada em 2008 em Estocolmo, a Sinch conecta marcas a consumidores por meio de mensagens e outros canais digitais e processa quase um trilhão de transações por ano, segundo o executivo, em declaração exclusiva ao InfoMoney.
Presença e estratégia no Brasil
Gerstmann justificou a prioridade brasileira por dois motivos: o tamanho e dinamismo do mercado e o papel do país como indicador do que deve se espalhar depois para Europa e Estados Unidos. A Sinch emprega cerca de 300 pessoas no Brasil e expandiu sua operação local por meio de aquisições das empresas TWW e Wavy.
A estratégia de crescimento por aquisições não se limita ao mercado brasileiro. Desde o IPO, em 2015, a companhia realizou aproximadamente 20 aquisições, com investimentos totais da ordem de US$ 5 bilhões, para ampliar cobertura geográfica e adicionar produtos como e-mail e voz.
Serviços e infraestrutura
A plataforma global da Sinch integra operadoras móveis e grandes provedores como Meta e Google, além de serviços de e-mail como Microsoft, Gmail e Yahoo. Entre os canais oferecidos estão SMS, WhatsApp, e-mail, chamadas de voz e RCS; em mercados asiáticos a empresa também trabalha com aplicativos como WeChat, KakaoTalk e Line. Na prática, a Sinch atua como infraestrutura de distribuição, conectando marcas ao canal adequado para entrega das mensagens.
Origem e evolução
A Sinch foi criada em 2008, dois meses antes da quebra do Lehman Brothers, sem financiamento de venture capital e com crescimento inicial bootstrap. Seis fundadores vindos do setor de telecom alugaram uma pequena sala em uma agência de viagens por US$ 600 ao mês. A empresa começou a pagar salários em janeiro de 2009 e contratou o primeiro funcionário em abril do mesmo ano. Nos sete primeiros anos, o crescimento foi orgânico, centrado na oferta de SMS corporativo e expansão internacional.
Da comunicação unilateral à conversação com IA
Gerstmann destacou que a transformação mais importante para a Sinch foi a migração de mensagens de mão única, como o SMS, para a comunicação bidirecional em canais como WhatsApp. A conversa automatizada permite, por exemplo, que pacientes reagendem consultas sem necessidade de call center. A empresa também incorpora inteligência artificial para atuar como atendente inteligente, acessando dados e automatizando interações complexas.
Imagem: Ap
O executivo alertou para riscos da IA, como alucinações, e recomendou combinar modelos generativos com fluxos determinísticos. Em questões críticas — por exemplo, consulta de saldo bancário —, é preciso empregar processos rígidos e trilhos de segurança para evitar erros.
Segurança, fraude e o papel do RCS
Gerstmann reconheceu que a fraude é um problema global e que o Brasil está entre os mercados mais desafiadores. Ele explicou que o SMS, concebido nos anos 1990 sem foco em segurança corporativa, é mais vulnerável, enquanto canais como o WhatsApp nasceram com barreiras maiores. Como evolução do SMS, o RCS oferece mensagens ricas, botões e carrosséis e é operado pelas operadoras com tecnologia do Google. No Brasil, estima-se que entre 60% e 70% das mensagens que parecem SMS já sejam, na prática, RCS. Para o futuro, segundo o executivo, a comunicação empresarial deve se concentrar principalmente em WhatsApp e RCS.
A Sinch também trabalha em parceria com operadoras e plataformas para aprimorar mecanismos de proteção e reduzir a exposição a fraudes.
Com informações de Infomoney

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6