O governo brasileiro, liderado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, encerrou em 23 de fevereiro a maior missão comercial de seu mandato à Ásia, com visitas à Índia e à Coreia do Sul. Em sete dias e dois países, foram assinados 21 acordos, numa iniciativa que busca ampliar a presença do agronegócio brasileiro em mercados asiáticos.
A missão, organizada pela ApexBrasil em parceria com o Ministério das Relações Exteriores e a Confederação Nacional da Indústria (CNI), reuniu cerca de 380 empresários e 12 ministros. O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, acompanhou todas as etapas. Índia e Coreia do Sul ocupam, respectivamente, a 10ª e a 13ª posição entre os destinos das exportações brasileiras.
Na Índia: bioenergia e feijão em destaque
Na Índia, o destaque foi o setor sucroenergético. Em 21 de fevereiro, durante o Brazil–India Business Forum em Nova Déli, a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA) e a Indian Sugar & Bio-Energy Manufacturers Association (ISMA) firmaram um Memorando de Entendimento para estabelecer cooperação técnica e institucional. O acordo prevê uma plataforma permanente de intercâmbio de conhecimento, cooperação tecnológica e ações conjuntas em biocombustíveis — etanol, combustível de aviação sustentável (SAF), biogás e outras soluções de baixo carbono.
O memorando ainda visa alinhar as ações conjuntas dos dois países na Global Biofuels Alliance e apoiar o compromisso internacional de quadruplicar o uso sustentável de biocombustíveis até 2030. Evandro Gussi, presidente da UNICA, ressaltou o avanço indiano na mistura de etanol à gasolina — de 2% para 20% em pouco mais de uma década — e defendeu a harmonização de mecanismos de contabilização de carbono para ampliar previsibilidade de investimentos.
No plano regulatório, o Brasil pretende transferir ao parceiro indiano aprendizados do RenovaBio e da metodologia RenovaCalc, desenvolvida pela Embrapa, que remuneram biocombustíveis conforme emissões evitadas. André Rocha, presidente da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (FIEG), lembrou que a cooperação em bioenergia tem quase dez anos e assinalou que o Acordo Preferencial Mercosul–Índia atualmente cobre apenas 16,8% das trocas bilaterais, indicando espaço para expansão.
Também no campo agrícola, o feijão foi pauta central. Marcelo Lüders, presidente do Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses (Ibrafe), informou que o Brasil está próximo de dobrar as exportações de pulses à Índia. Em 2025, os embarques alcançaram 300 mil toneladas, gerando US$ 250 milhões, concentrados nas variedades mungo-preto (com protocolo fitossanitário vigente) e feijão-guandu (com protocolo sanitário em fase final e encaminhado durante a missão).
O comércio bilateral com a Índia superou US$ 15 bilhões em 2025 pela primeira vez. Lula e o primeiro-ministro Narendra Modi fixaram a meta de elevar esse fluxo para US$ 30 bilhões até 2030 — proposta inicialmente colocada por Modi em US$ 20 bilhões e ampliada por Lula.
Na Coreia do Sul: carne bovina, suínos, ovos e frutas
Em Seul, entre 22 e 23 de fevereiro, a missão avançou sobretudo na pauta de proteínas. O presidente sul-coreano Lee Jae-myung confirmou a realização de auditoria nas plantas frigoríficas brasileiras, etapa prévia à assinatura do protocolo sanitário para exportação de carne bovina. A missão técnica de auditores coreanos visitará o Brasil no terceiro trimestre de 2026.
O mercado de carne bovina da Coreia do Sul é dominado pelos Estados Unidos, com participação próxima de 70%. Estudos de mercado indicam que o produto brasileiro pode alcançar preços até 30% mais competitivos.
Imagem: GuttyBrasil cumpriu uma das maiores missões comerciais à Índia e Coreia do Sul
Também houve avanço em carne suína: anteriormente apenas Santa Catarina estava habilitada para exportar ao país; agora, todos os estados brasileiros reconhecidos pela Organização Mundial de Saúde Animal (WOAH) como livres de febre aftosa e peste suína clássica poderão ter suas plantas inspecionadas pelas autoridades coreanas. No caso dos ovos, a Coreia recebeu toda a documentação sanitária e a emissão do certificado foi anunciada para os próximos dias após a missão.
Na fruticultura, foi obtida redução tarifária para a manga: a alíquota, que podia chegar a 30% dependendo da época, caiu para 5% dentro de uma cota de 18,5 mil toneladas no primeiro semestre. Para a uva, ficou marcada auditoria técnica para setembro de 2026, que, se concluída com êxito, pode abrir o mercado ainda em 2026.
Na Coreia do Sul foram assinados três acordos específicos na área agrícola, com foco em segurança alimentar, tecnologias agroindustriais e desenvolvimento rural sustentável. Um dos memorandos estabelece intercâmbio técnico em ciência, tecnologia, agricultura digital, infraestrutura agrícola, bioinsumos e harmonização de normas sanitárias e fitossanitárias (SPS), além da criação de um Comitê de Cooperação Agrícola Brasil–Coreia. A Embrapa firmou memorando com a Administração de Desenvolvimento Rural da Coreia do Sul.
Os líderes também sinalizaram a retomada das negociações para um acordo de livre comércio entre o Mercosul e a Coreia do Sul, suspensas desde 2021, com a possibilidade de conclusão ainda em 2026 se as negociações avançarem conforme o esperado. No conjunto, a participação da Ásia (excluindo o Oriente Médio) nas exportações brasileiras do agronegócio atingiu 49,5% em 2025, avanço de 2,2 pontos percentuais sobre 2024.
O pacote de medidas e acordos assinado ao longo da missão define passos práticos para ampliar comércio e cooperação técnica em alimentos e bioenergia entre Brasil, Índia e Coreia do Sul.
Com informações de Forbes

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6