O cantor e compositor Bruce Springsteen surpreendeu o público na última quarta-feira (28 de janeiro) com o lançamento de “Streets of Minneapolis”, faixa de teor fortemente político que critica a atuação do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) na cidade de Minneapolis.

De acordo com o artista, eleito para o Rock and Roll Hall of Fame, a canção foi composta em 24 de janeiro e gravada em estúdio apenas três dias depois, em 27 de janeiro. Springsteen afirmou que o objetivo era responder ao que chamou de “estado de terror” imposto pela operação de agentes do Departamento de Segurança Interna (DHS) nas ruas de Minneapolis.

Contexto e inspiração
Na tradição dos protest songs de Woody Guthrie, influência assumida do músico, a nova composição descreve o clima de tensão vivido pelos moradores que se organizaram para enfrentar as ações consideradas violentas dos agentes federais. Springsteen dedica a obra “ao povo de Minneapolis, aos imigrantes inocentes e à memória de Renée Good e Alex Pretti”, duas vítimas mortais dessas operações.

Estrutura musical e temática
Em tom sombrio, a introdução de “Streets of Minneapolis” traz arranjos contidos, que evocam o espírito de seu álbum Nebraska, antes de evoluir para uma produção mais robusta no segundo verso. Ali, o cantor enaltece a resistência dos cidadãos, que teriam suportado gás lacrimogêneo, balas de borracha e intimidações, enquanto agentes do ICE e da patrulha de fronteira desembarcavam em massa na cidade.

Springsteen também faz referência aos episódios de 7 e 24 de janeiro, quando a agente Renée Good, mãe de três filhos, e o enfermeiro Alex Pretti foram mortos em confrontos com agentes federais. Ele questiona versões oficiais que classificaram Good como peça de um “ataque” e Pretti como “terrorista doméstico”, apesar de imagens mostrarem ambos sem oferecer ameaça letal antes dos disparos.

Sequência histórica de protestos
Com “Streets of Minneapolis”, Springsteen se soma a uma série de manifestações artísticas e políticas contrárias às táticas de imigração da administração Trump. Nos últimos dias, artistas como Billie Eilish, Dave Matthews, Moby, Olivia Rodrigo e The Chicks, além de alguns parlamentares republicanos, também criticaram as ações do ICE e do DHS em solo americano.

Imagem: Divulgação

O novo protest song remete ainda a outras falas engajadas de Springsteen, como “American Skin (41 Shots)” (2001), sobre a morte de Amadou Diallo pela polícia de Nova York, e “That’s What Makes Us Great” (2017), que invertia o slogan “Make America Great Again” em defesa de imigrantes.





“Streets of Minneapolis” encerra com um refrão urgente, no qual Springsteen reafirma o compromisso de defender direitos civis e lembrar os nomes de quem tombou nos conflitos recentes em solo americano.

Com informações de Billboard