BTG Pactual identifica aumento do risco de inadimplência no crédito rural que deve pesar sobre o balanço do Banco do Brasil no segundo trimestre. Segundo o relatório do banco de investimento, produtores rurais têm atrasado pagamentos enquanto aguardam uma possível renegociação de dívidas em tramitação no Congresso, gerando efeitos negativos sobre a cobrança de empréstimos.
O Banco do Brasil já vinha registrando piora no setor no primeiro trimestre: o lucro líquido ajustado foi de R$ 3,4 bilhões, queda de 54% ante período anterior. A inadimplência acima de 90 dias no agronegócio alcançou 6,22% da carteira, e as provisões para perdas chegaram a R$ 16,8 bilhões. A instituição reportou retorno sobre o patrimônio de 7,3% e revisou suas projeções para 2026 diante da deterioração do risco de crédito ligado ao agro.
O BTG afirma que a deterioração do comportamento de pagamento ficou mais evidente em maio e junho, meses relevantes para a arrecadação de financiamentos rurais. No relatório, os analistas alertam que o debate público sobre medidas de alívio pode estar criando um incentivo para que tomadores posterguem o pagamento na expectativa de condições melhores no futuro — um efeito semelhante ao chamado “risco moral”.
Os analistas do BTG avaliam que parte dos devedores estaria “postergando racionalmente” seus compromissos enquanto espera por alguma medida de socorro, o que amplia o desafio de cobrança para os bancos com grande exposição ao setor.
O alerta recai com mais força sobre o Banco do Brasil por conta do tamanho de sua carteira rural: o banco tem R$ 155,6 bilhões em vencimentos previstos para produtores em 2026. Deste montante, R$ 44,2 bilhões — equivalente a 28,4% — concentram-se apenas no segundo trimestre.
Além disso, há forte concentração nas linhas de financiamento de safra: representam 56% dos vencimentos de abril, 60% dos de maio e 63% dos de junho. No conjunto entre abril e setembro, vencem 59,4% das obrigações anuais da carteira rural do BB, o que torna o período crítico para cobranças.
Imagem: REUTERS/Paulo Whitaker
Para o BTG, a combinação do calendário de vencimentos e da piora no comportamento de pagamento aponta para “pressão contínua sobre cobranças e custo de risco” no segundo trimestre — ou seja, maiores dificuldades para recuperar empréstimos e necessidade de elevar provisões contra calotes.
O relatório também menciona uma medida pontual de alívio de capital: o Tribunal de Contas da União (TCU) autorizou o reescalonamento de um instrumento híbrido de R$ 4,1 bilhões com o Tesouro, que deve preservar sete pontos-base de capital principal em 2026 e 2027. Ainda assim, o banco destaca que o principal risco de curto prazo permanece no segmento agropecuário.
Com informações de Forbes

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6